O Modernisation Fund tornou-se um dos instrumentos mais dinâmicos do financiamento climático europeu. Com montantes crescentes ano após ano e um foco claro em renováveis, redes e eficiência industrial, o mecanismo demonstra que a agilidade técnica e a capacidade institucional dos Estados-Membros são decisivas para transformar ambição climática em resultados concretos.
Um instrumento que está a ganhar escala
Desde 2021, o Modernisation Fund consolidou-se como um dos pilares do financiamento climático na União Europeia. Os relatórios recentes mostram um crescimento contínuo: depois de desembolsos iniciais próximos de 900 milhões de euros, o ritmo acelerou para 1,8 mil milhões em 2022, ultrapassou os 2,4 mil milhões em 2023 e atingiu cerca de 3,1 mil milhões no último ano completo. Em 2025, os dados preliminares já apontam para mais de 3,6 mil milhões em investimentos aprovados, sinal de que o pipeline de projectos se tornou mais robusto e tecnicamente sólido.
Este aumento não reflete apenas maior procura. É também resultado de melhorias na preparação dos projectos, da existência de mecanismos nacionais de cofinanciamento e de uma maior coordenação entre autoridades energéticas, elementos reconhecidos pela Comissão Europeia como críticos para acelerar a aprovação e a execução.
Prioridades claras para a década
A maioria dos investimentos aprovados concentra-se em três áreas estratégicas: energias renováveis, redes elétricas e eficiência energética industrial. A estas juntam-se projectos de armazenamento, aquecimento urbano limpo e mobilidade elétrica, essenciais para reduzir emissões e reforçar a autonomia energética europeia num contexto de metas climáticas cada vez mais exigentes.
Para Pedro Ferreira, diretor da sede de Lisboa da Zabala Innovation, esta convergência de prioridades “mostra que o Modernisation Fund não é apenas um instrumento financeiro, mas um verdadeiro acelerador de transformação estrutural, capaz de alinhar políticas nacionais com a ambição climática europeia”.
Casos de impacto no terreno
Entre os treze Estados-Membros elegíveis, alguns exemplos têm ganho destaque. A Polónia, maior beneficiária do mecanismo, está a canalizar vários milhares de milhões de euros para centrais solares e eólicas, redes de transmissão modernizadas e projectos de aquecimento urbano, um dos sectores mais intensivos em carbono da Europa Central.
A República Checa reforçou a eficiência energética na indústria pesada e tem vindo a apoiar sistemas urbanos de calor renovável, enquanto a Roménia avança com parques solares e eólicos de grande dimensão e uma expansão significativa da sua rede de transmissão e distribuição. Nos casos da Croácia, Bulgária e Eslováquia, o Fundo permitiu apoiar projectos de menor escala, muitos deles focados na descarbonização local — desde edifícios públicos mais eficientes a infraestruturas de calor urbano moderno.
Modelos de apoio que estão a fazer a diferença
Os Estados-Membros recorreram a modelos de implementação variados: subsídios diretos, concursos competitivos nacionais, mecanismos híbridos de financiamento e apoio direto a utilities. Esta diversidade mostrou ser um ponto forte, permitindo adaptar o instrumento ao contexto institucional de cada país.
Nos mercados onde as autoridades energéticas estão mais consolidadas e os procedimentos são mais previsíveis, o pipeline tornou-se substancialmente mais ágil, com decisões mais rápidas e maior segurança para investidores públicos e privados. Esta maturidade institucional é hoje apontada como um dos principais fatores para maximizar o impacto do Modernisation Fund.
Um futuro marcado pela integração industrial
À medida que o regime ETS evolui e as metas de descarbonização se intensificam até 2030, cresce também o número de projectos industriais elegíveis. Sectores como a siderurgia, o cimento ou os produtos químicos começam a integrar soluções de eletrificação, eficiência e armazenamento térmico que se enquadram no escopo do Fundo.
Segundo Ferreira, “a próxima fase será decisiva para aproximar o Modernisation Fund da indústria, desbloqueando investimentos estruturantes que permitirão dar escala à descarbonização profunda”.
Consolidar o ritmo e ampliar o impacto
Os primeiros anos demonstram que o instrumento está a cumprir a sua missão: apoiar investimentos que modernizam redes, indústrias e cidades, contribuindo para uma Europa mais competitiva e resiliente. O desafio que se segue passa por garantir que este impacto chega a todas as regiões com necessidades significativas de transição energética, assegurando estabilidade, previsibilidade e inovação contínua nos modelos de apoio.