Ir para notícias

Clima e ambiente

Os três erros que podem comprometer a sua candidatura ao LIFE

Está a preparar uma proposta para o programa LIFE? Podemos acompanhá-lo em todo o processo! CONTACTE A NOSSA EQUIPA

O essencial

Preparar uma candidatura ao LIFE exige muito mais do que uma boa ideia. As propostas com maiores probabilidades de sucesso são aquelas que se enquadram claramente nos objetivos do programa, demonstram um impacto ambiental relevante e apresentam um orçamento coerente com os resultados esperados. Evitar os erros mais comuns desde o início pode fazer a diferença entre uma proposta correta e uma candidatura verdadeiramente competitiva.

Enquadramento no LIFE. O projeto deve responder às prioridades do programa e basear-se numa solução já validada, a demonstrar em condições reais.
Impacto europeu. A proposta deve gerar benefícios ambientais ou climáticos mensuráveis, replicáveis e transferíveis para além do contexto local.
Orçamento coerente. Os custos devem estar claramente justificados e ser proporcionais ao impacto esperado.
Consórcio sólido. A candidatura deve reunir os intervenientes-chave necessários para executar o projeto e reforçar a sua credibilidade.
Plano de exploração. Os resultados devem assentar numa estratégia credível de adoção, replicação e impacto a longo prazo.

Todos os anos, muitas organizações dedicam semanas ou até meses à preparação de uma candidatura ao programa LIFE, o principal instrumento de financiamento da União Europeia para projetos de ambiente e ação climática. Ter uma boa ideia, contudo, nunca é suficiente. Muitas propostas ficam pelo caminho porque não respondem adequadamente ao que os avaliadores procuram ou porque apresentam fragilidades que poderiam ter sido identificadas desde o início.

“Após anos a acompanhar empresas, administrações públicas, centros tecnológicos, universidades e outras organizações na preparação de propostas LIFE, identificámos alguns padrões que se repetem com frequência”, afirma Maite Zazpe, consultora sénior em Projetos europeus e especialista da Zabala Innovation neste programa. Estes são três dos erros mais comuns que podem comprometer as hipóteses de financiamento da sua candidatura.

Os erros mais frequentes nas propostas LIFE

O projeto não se enquadra verdadeiramente no programa

Este é provavelmente o erro mais frequente e, muitas vezes, o mais difícil de identificar para quem se aproxima do LIFE pela primeira vez.

O programa financia principalmente projetos de demonstração. Ou seja, iniciativas que partem de uma solução previamente validada e procuram demonstrar o seu funcionamento em condições reais ou próximas das reais. Por isso, as propostas excessivamente centradas na investigação tendem a ter mais dificuldade em competir com sucesso.

Também é comum encontrar projetos com um nível de inovação insuficiente ou que não se alinham claramente com as prioridades temáticas do aviso. Noutros casos, muitas propostas centram-se exclusivamente em aspetos de digitalização, sem apresentarem um impacto ambiental ou climático suficientemente relevante que justifique o seu enquadramento no programa.

Antes de começar a preparar uma candidatura, vale a pena colocar uma questão simples: estamos perante um projeto que o LIFE realmente pretende financiar?

O impacto fica limitado ao âmbito local

Uma boa proposta LIFE deve demonstrar que pode gerar um impacto ambiental ou climático relevante para além da organização que a desenvolve.

Um dos erros mais frequentes consiste em apresentar benefícios difíceis de quantificar ou limitados a um contexto muito específico. Os avaliadores procuram projetos capazes de gerar resultados mensuráveis, replicáveis e transferíveis para outros territórios, setores ou intervenientes.

Além disso, aspetos como a capacidade de replicação, a existência de uma estratégia de exploração de resultados ou a possibilidade de influenciar políticas públicas e quadros regulamentares assumem uma importância crescente. Quando estes elementos não estão presentes, a proposta perde uma parte significativa do seu valor acrescentado europeu.

A questão fundamental é saber se o projeto pode tornar-se uma referência para outros ou se os seus efeitos ficarão limitados a um caso isolado.

O orçamento não corresponde ao impacto esperado

Outro dos aspetos que costuma penalizar as avaliações é a falta de coerência entre os recursos solicitados e os resultados previstos.

Os avaliadores analisam detalhadamente a justificação dos custos e o seu contributo para o cumprimento dos objetivos do projeto. Orçamentos sobredimensionados, equipas insuficientemente justificadas ou investimentos elevados são sinais de alerta frequentes.

Não se trata necessariamente de apresentar orçamentos reduzidos. O LIFE financia projetos ambiciosos. O importante é que cada custo esteja claramente associado às atividades previstas e que o impacto ambiental ou climático esperado justifique o investimento.

O que têm em comum as propostas que conseguem financiamento?

Embora não exista uma fórmula infalível, as candidaturas com maior probabilidade de sucesso tendem a partilhar três características.

Em primeiro lugar, apresentam um claro alinhamento estratégico com as prioridades do aviso e com os objetivos do programa. Trata-se de iniciativas baseadas em produtos, processos ou ideias previamente validados, que abordam um problema ambiental relevante para a Europa, partem de uma situação de referência bem definida e preveem uma demonstração em condições reais ou próximas das reais.

Em segundo lugar, contam com um consórcio capaz de executar o projeto e de transmitir credibilidade aos avaliadores. Para além de integrarem as competências técnicas necessárias, envolvem normalmente os principais intervenientes da cadeia de valor, as administrações públicas quando pertinente e os utilizadores finais que facilitarão a adoção e validação dos resultados. As cartas de apoio e a correta integração de perfis transversais também podem contribuir para reforçar a solidez da proposta.

Por último, constroem um plano de impacto sólido e credível. Isto implica demonstrar um benefício ambiental significativo, analisar a viabilidade económica da solução, definir uma estratégia de comercialização quando aplicável e comprovar o potencial de replicação dos resultados. As propostas mais competitivas tendem também a considerar a sua capacidade de influenciar políticas públicas ou quadros regulamentares e a avaliar, para além dos impactos ambientais e económicos, os efeitos sociais que podem resultar da sua implementação.

“Uma boa proposta LIFE não se constrói nas últimas semanas antes da data-limite. Requer tempo, uma compreensão profunda das prioridades do programa e uma reflexão honesta sobre os pontos fortes e fracos da iniciativa”, sublinha Zazpe. “Avaliar o enquadramento do projeto desde as fases iniciais, analisar experiências anteriores e incorporar uma perspetiva externa pode fazer a diferença entre uma candidatura correta e uma proposta verdadeiramente competitiva”, conclui.