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MINAS

O desafio social que acompanha a nova mineração europeia

O essencial

A aceitação social tornou-se um elemento fundamental para o futuro da mineração e das matérias-primas críticas. Para além do desenvolvimento de novas tecnologias, o setor precisa de compreender as necessidades das comunidades locais, envolver as partes interessadas e facilitar a adoção da inovação por parte dos trabalhadores. A Zabala Innovation aplica esta abordagem em projetos europeus como o Digiecoquarry, o Rotate e o SCIMIN-CRM, integrando a dimensão social no desenvolvimento de soluções para uma mineração mais sustentável.

Digiecoquarry e a pedreira digital. Este projeto promove a aceitação social das tecnologias digitais através da participação das comunidades e dos trabalhadores.
Rotate e as matérias-primas críticas. Esta iniciativa aproxima o setor da sociedade e melhora a compreensão pública da importância das matérias-primas críticas.
SCIMIN-CRM e os resíduos mineiros. O projeto integra a dimensão social na avaliação de projetos de recuperação de matérias-primas a partir de resíduos mineiros.

A transição para uma economia mais sustentável voltou a colocar a mineração no centro do debate público. A necessidade de garantir o abastecimento de matérias-primas críticas para tecnologias como baterias, aerogeradores ou veículos elétricos reativou o interesse pela atividade extrativa. Contudo, a par dos desafios tecnológicos e ambientais, emerge outro fator decisivo: a relação entre as explorações mineiras e as pessoas que convivem com elas.

As minas e as pedreiras permanecem durante décadas no mesmo território. À medida que as cidades crescem e as expectativas da sociedade evoluem, questões como o impacto no ambiente envolvente, o tráfego, o emprego ou a transparência assumem uma importância cada vez maior. A aceitação social tornou-se, assim, um elemento estratégico para o desenvolvimento de novos projetos e para a implementação de inovações no setor.

“A inovação tem de responder às preocupações e às expectativas daqueles que são afetados por ela”, explica Nahikari Diosdado, consultora da área de Inovação Social em Projetos Europeus da Zabala Innovation. “Por isso, é fundamental integrar a dimensão social desde as primeiras fases dos projetos e criar espaços de diálogo com todos os intervenientes envolvidos”, acrescenta.

Com esta abordagem, a Zabala Innovation participa em vários projetos europeus relacionados com a mineração, as pedreiras e as matérias-primas críticas, nos quais analisa o contexto social de cada iniciativa, identifica as partes interessadas e desenvolve estratégias para promover a sua participação. Este trabalho inclui também aqueles que operam as explorações. “Os trabalhadores são quem convive diariamente com as novas tecnologias. Compreender a forma como as percecionam e facilitar a sua adoção é tão importante como o próprio desenvolvimento técnico das soluções”, sublinha Diosdado.

Três projetos para integrar a dimensão social na mineração

A ideia de que a inovação tecnológica também precisa de assentar em processos de escuta, participação e confiança está presente nos três projetos europeus em que a Zabala Innovation trabalha atualmente neste domínio: Digiecoquarry, Rotate e SCIMIN-CRM. Nas palavras de Diosdado, “isto implica analisar o contexto social de cada projeto, identificar os intervenientes envolvidos, criar canais de diálogo, promover a participação das comunidades locais, das administrações públicas, da indústria e dos trabalhadores, e antecipar possíveis preocupações antes que se transformem em obstáculos”. Desta forma, a aceitação social deixa de ser um conceito abstrato para passar a constituir uma componente concreta do desenvolvimento dos projetos.

Digiecoquarry: aceitação social da pedreira digital

Um exemplo disso é o Digiecoquarry, uma iniciativa centrada na digitalização das pedreiras. Neste projeto, a Zabala Innovation lidera as atividades relacionadas com os mecanismos de aceitação social, com o objetivo de acompanhar a implementação de tecnologias digitais avançadas nos locais-piloto. A tarefa não consiste apenas em explicar a chegada de novas soluções, mas também em compreender de que forma estas podem afetar o território e como são percecionadas por aqueles que convivem com a atividade extrativa.

Para esse efeito, o projeto desenvolve análises de riscos sociais, identifica as partes interessadas e concebe estratégias de participação adaptadas a cada pedreira. Contempla igualmente mecanismos para recolher preocupações, melhorar a comunicação com as comunidades locais e promover uma relação mais fluida entre empresas, administrações públicas e cidadãos. A dimensão interna é igualmente relevante: os trabalhadores das pedreiras são utilizadores diretos de muitas destas tecnologias, pelo que a sua perceção, as suas necessidades e a sua experiência quotidiana fazem parte integrante do processo de implementação.

Rotate: compreensão social das matérias-primas críticas

O projeto Rotate, por sua vez, centra-se numa questão mais ampla: a distância que ainda existe entre o setor das matérias-primas críticas e a sociedade. Estes materiais são essenciais para numerosas tecnologias associadas às transições energética e digital, mas a sua extração e processamento continuam a ser atividades pouco conhecidas por uma parte significativa dos cidadãos. O projeto procura melhorar essa compreensão social e promover uma visão mais informada sobre o seu papel estratégico.

Neste projeto, a Zabala Innovation atua como ponte entre a iniciativa, outros projetos europeus, entidades do setor e a sociedade, com um duplo objetivo: fomentar a colaboração e melhorar a compreensão pública da importância das matérias-primas críticas. As ações incluem processos de cocriação, iniciativas de sensibilização e espaços de colaboração com intervenientes sociais, técnicos e institucionais. O projeto trabalha igualmente na elaboração de orientações para integrar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nas estratégias de gestão de minas e pedreiras, ligando assim a atividade extrativa a debates mais amplos sobre sustentabilidade, responsabilidade territorial e transição industrial.

SCIMIN-CRM: perspetiva social e valorização dos resíduos mineiros

O terceiro projeto, SCIMIN-CRM, aborda outro dos grandes desafios do setor: a recuperação de matérias-primas críticas a partir de resíduos mineiros. A valorização destes resíduos pode abrir novas oportunidades do ponto de vista tecnológico, económico e ambiental, mas a sua viabilidade depende também da forma como é integrada no território e de como é percecionada pelos intervenientes envolvidos.

No âmbito do pacote de trabalho dedicado à avaliação da sustentabilidade, a Zabala Innovation lidera a elaboração de orientações para avaliar a dimensão social das instalações de resíduos mineiros, tendo em consideração tanto os intervenientes internos como os externos. O trabalho inclui o estudo do contexto local, a caracterização das principais dimensões sociais nos locais-piloto e a definição de orientações destinadas a promover a compreensão social e a aceitação local das atividades de valorização.

O SCIMIN-CRM contempla ainda ações de sensibilização e participação dirigidas às comunidades locais, decisores políticos, especialistas e utilizadores finais. O objetivo é que a recuperação de matérias-primas a partir de resíduos mineiros não seja encarada apenas como uma solução técnica, mas também como uma atividade que deve ser explicada, debatida e adaptada ao contexto em que é desenvolvida.

Como pode a Zabala Innovation ajudar?

“A aceitação social não se constrói apenas no final de um projeto, mas sim desde as suas fases iniciais”, sublinha Lucía Eguillor, consultora especialista na área de Inovação Social em Projetos Europeus da Zabala Innovation. “Na nossa consultora, acompanhamos empresas e consórcios ao longo de todo este processo, desde a análise do contexto social e a identificação das partes interessadas até à conceção, implementação e avaliação de estratégias de comunicação, participação e cocriação adaptadas a cada território”, afirma.

“A nossa experiência em projetos europeus como o Digiecoquarry, o Rotate e o SCIMIN-CRM permite-nos desenvolver metodologias, ferramentas e processos participativos que facilitam a implementação da inovação, reforçam a relação com as partes interessadas e contribuem para melhorar a aceitação social de projetos relacionados com a mineração e as matérias-primas críticas”, conclui Eguillor.