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Horizon Europe
Horizon Europe concentra prioridades e reduz procedimentos para 2026-2027
O programa introduz concursos horizontais, menos ‘topics’ e mais apoio ao talento investigador na Europa
EIT
Com um orçamento de 70 milhões de euros, a Higher Education Initiative do EIT procura reforçar a ligação entre ciência, talento e tecido produtivo
O essencial
O Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia lança uma nova edição da Higher Education Initiative, dotada de 70 milhões de euros e aberta até 4 de março de 2026, para promover a inovação e o empreendedorismo nas instituições de ensino superior através de alianças transnacionais destinadas a levar soluções académicas ao mercado.
O Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT) lança uma nova edição da Higher Education Initiative (HEI). O convite EIT HEI 2025 – que mobilizará 70 milhões de euros e cujo prazo para apresentação de propostas termina a 4 de março de 2026 – procura reforçar o papel das instituições de ensino superior, ou seja, todas as organizações que oferecem formação além do ensino secundário, nos ecossistemas de inovação, através de projetos até 2 milhões de euros. A iniciativa pretende consolidar a capacidade de inovação e de empreendedorismo das instituições de ensino superior mediante alianças transnacionais que integrem empresas, centros de conhecimento e outros atores do ecossistema empreendedor, com o objetivo de gerar soluções com impacto real no mercado e na sociedade.
Para tal, o convite exige consórcios compostos por pelo menos três instituições de ensino superior de diferentes países elegíveis do Horizon Europe, bem como uma empresa e uma organização adicional que não seja uma instituição de ensino superior (outro parceiro empresarial, associações, parques científicos, incubadoras e aceleradoras, investidores, entre outros). Os projetos terão a duração de vinte e quatro meses e deverão iniciar-se a 1 de setembro de 2026.
A Higher Education Initiative do EIT estrutura-se em dois eixos. O primeiro centra-se no reforço da inovação e do empreendedorismo em disciplinas STEM, promovendo alianças entre universidades e indústria e consolidando estruturas que acelerem a transferência para o mercado. O segundo incide nas alianças universitárias europeias, convidadas a aprofundar a sua colaboração estratégica com o ecossistema do EIT e a ampliar redes de inovação transfronteiriças.
A definição destes objetivos decorre de um diagnóstico do próprio Instituto, que considera que as instituições de ensino superior devem assumir um papel mais ativo nos sistemas de inovação europeus. Neste sentido, “o convite reconhece que as instituições de ensino superior podem desempenhar um papel determinante se dispuserem dos recursos e incentivos adequados”, explica Leyre Gómez, consultora de programas europeus na Zabala Innovation. Na sua opinião, esta abordagem procura reforçar a competitividade das instituições, atrair talento e facilitar alianças estáveis que sustentem um fluxo contínuo de projetos e soluções de origem académica.
As entidades que tenham participado em edições anteriores poderão voltar a fazê-lo, com a expectativa de que atuem como referências de inovação e empreendedorismo nos respetivos consórcios. Cada instituição deverá apresentar a sua acreditação nacional e uma carta de compromisso da direção identificando as faculdades ou departamentos envolvidos.
O programa financia até 100% dos custos elegíveis, embora se incentive a cofinanciamento para reforçar a sustentabilidade dos projetos. As despesas elegíveis incluem pessoal, subcontratação, viagens e estadias, equipamento, bens e serviços, apoio financeiro a terceiros e custos indiretos. As despesas serão elegíveis ao longo dos dois anos de execução, entre setembro de 2026 e agosto de 2028.
Nesta edição, tal como nas anteriores, uma mesma organização só poderá participar como parceira financiada numa única proposta, embora possa participar como associada noutras. Esta regra procura alargar a participação e diversificar os projetos. “Esta limitação pretende evitar concentrações e permitir que um maior número de instituições tenha acesso à iniciativa”, assinala Gómez, sublinhando a importância de cada candidatura apresentar uma estratégia sólida de colaboração e de transferência, alinhada com o modelo do triângulo do conhecimento, que combina educação, investigação e empresa.
O programa pretende igualmente que os estudantes adquiram competências alinhadas com os perfis profissionais emergentes em domínios ligados à inovação. A empregabilidade e a preparação para percursos profissionais impulsionados pelo empreendedorismo figuram entre os objetivos da iniciativa. Paralelamente, pretende-se promover comunidades inclusivas em que participem universidades, empresas, investidores e outros agentes ligados à inovação.
Esta dimensão comunitária assume um papel central no convite. Nas palavras de Gómez, “valoriza-se especialmente que os consórcios criem uma rede verdadeiramente aberta e útil para todos os seus membros”. Para a consultora, o essencial é que a colaboração “permita passar das ideias a resultados concretos capazes de chegar ao mercado”.
A transição da investigação para o mercado é, de facto, um dos eixos prioritários. O convite incentiva a criação de percursos que facilitem a constituição de novas empresas, a atração de investimento e a maturação de soluções tecnológicas ou sociais provenientes da atividade académica. Esta orientação procura responder a um desafio recorrente na Europa: a distância entre a ciência de excelência e a sua aplicação comercial ou social. Para Gómez, esta abordagem “ajuda as universidades a não se limitarem à geração de conhecimento, mas a tornarem-se agentes ativos do tecido inovador”.
No contexto mais amplo da estratégia europeia, a Higher Education Initiative insere-se na missão geral do EIT, que visa reforçar a capacidade do continente para enfrentar desafios globais através de soluções inovadoras e de redes de conhecimento transfronteiriças. O EIT gere o maior ecossistema de inovação da Europa, com mais de 2.000 parceiros dos setores empresarial, educativo e científico. Os seus programas já apoiaram a criação de mais de 3.100 start-ups e scale-ups, que captaram mais de 3 mil milhões de euros em investimento externo. As suas iniciativas procuram desenvolver talento empreendedor e estimular a cooperação entre sectores, para que as ideias geradas em universidades, empresas ou centros de investigação possam traduzir-se em resultados concretos.

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Opinião
Horizon Europe

Camino Correia
Diretora de Projetos Europeus / Comité Executivo

Publicação
Universidades
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