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Universidades e centros científicos poderão apresentar iniciativas ‘bottom-up’ em qualquer disciplina até 28 de outubro
O essencial
O concurso COST Actions 2026 financiará até 80 novas redes internacionais de investigação em qualquer área científica. Esta edição introduz alterações importantes na composição das redes, reforça o papel dos jovens investigadores e modifica o processo de submissão e avaliação. Perante uma elevada concorrência, construir uma rede sólida e preparar a proposta com uma estratégia clara será fundamental para aumentar as possibilidades de sucesso.
O programa europeu COST abriu uma nova convocatória para promover a criação de redes internacionais de investigação em qualquer área do conhecimento. A Open Call 2026, que incorpora novas medidas para reforçar a participação de jovens investigadores nas redes de proponentes, aceita propostas desde 31 de julho e encerrará a 28 de outubro de 2026. O programa prevê financiar até 80 novas Actions, com uma duração de quatro anos.
Ao contrário de outros instrumentos europeus, o COST não financia projetos de investigação em sentido estrito. O seu objetivo é criar e consolidar redes que liguem investigadores e inovadores de diferentes países para responder a um desafio científico, tecnológico ou societal comum. O financiamento destina-se principalmente a atividades de networking, como reuniões, workshops, training schools, short-term scientific missions, ações de comunicação e ferramentas de colaboração virtual.
“As COST Actions são uma excelente porta de entrada para as universidades que pretendem criar e consolidar redes internacionais antes de avançarem para a coordenação de projetos colaborativos de maior dimensão no ecossistema europeu”, explica Eduardo García, responsável pela área de Ciência e Universidades da Zabala Innovation. “Permitem estabelecer relações de confiança entre investigadores de diferentes países, alinhar prioridades e identificar desafios que, ao longo do tempo, podem traduzir-se em consórcios sólidos para futuras convocatórias europeias”, acrescenta.
A convocatória mantém também a sua abordagem bottom-up: não existem topics predefinidos e podem ser apresentadas propostas em qualquer disciplina, incluindo iniciativas multidisciplinares e interdisciplinares.
Uma das principais novidades de 2026 afeta diretamente a composição da rede de proponentes. As propostas devem reunir participantes de, pelo menos, sete COST full ou cooperating members e, no mínimo, metade desses países deve pertencer aos denominados inclusiveness target countries, destinados a promover uma participação geográfica mais equilibrada.
A estas condições junta-se este ano um novo requisito: pelo menos 40% das pessoas que integram a rede de proponentes deverão ser young researchers and innovators, categoria que o COST aplica a investigadores e inovadores com menos de 40 anos.
Com esta alteração, “a presença de jovens investigadores deixa de ser apenas uma questão associada às políticas de inclusão do programa para passar a constituir um requisito formal da proposta”, salienta García. Esta mudança obriga a rever a estrutura da rede desde o início e reforça o protagonismo dos perfis de investigação em início de carreira na conceção de futuras colaborações.
A segunda grande novidade tem consequências importantes para quem costuma envolver-se em várias candidaturas. Na convocatória de 2026, cada pessoa poderá participar apenas numa proposta, seja como main ou como secondary proposer.
A medida obriga investigadores e gabinetes de projetos a coordenarem-se com maior antecedência. Antes de integrar um participante, será especialmente importante verificar se este já não assumiu o compromisso de participar noutra candidatura da mesma convocatória. “A configuração da rede passa a ser um exercício muito mais estratégico. Já não basta reunir especialistas; é necessário definir desde o início quem vai efetivamente liderar a proposta”, alerta García.
O processo de apresentação também muda. Em 2025, o COST tinha introduzido um novo modelo de technical annex cuja utilização era obrigatória nas propostas. Em 2026, dá mais um passo: o anexo deixa de ser um documento independente e passa a ser preenchido diretamente na plataforma e-COST.
O sistema incorpora ainda controlos que impedem a submissão de uma proposta quando são ultrapassados os limites estabelecidos de páginas ou de texto. A alteração procura simplificar o processo e reduzir erros formais que podem comprometer a elegibilidade. Para as equipas, no entanto, implica adaptar a preparação do documento a uma ferramenta online e prestar especial atenção à versão que fica finalmente registada na plataforma.
O procedimento de avaliação também foi simplificado. Para 2026, o COST apresenta um modelo baseado na avaliação por peritos externos independentes, numa fase de consenso e controlo de qualidade e, posteriormente, na seleção pelo Scientific Committee, antes da aprovação definitiva pelo Committee of Senior Officials. O novo modelo aproxima o processo de avaliação das práticas habituais de outros programas, simplificando as fases intermédias e reforçando o peso da avaliação por peritos independentes e do consenso científico.
Entre as novidades da convocatória encontra-se também um aumento do financiamento indicativo por Action. Para 2026, o COST estima uma dotação de cerca de 150.000 euros durante o primeiro ano e uma média de 180.000 euros anuais durante os três anos seguintes. Estes montantes são indicativos e não fazem parte da proposta apresentada pelos candidatos. O financiamento destina-se a suportar as atividades de networking, e não a execução de atividades de investigação.
Quanto ao número de oportunidades, a convocatória de 2026 anuncia até 80 novas Actions. A comparação com 2025 exige uma ressalva. No encerramento da call de 2025, previa-se inicialmente aprovar até 70 redes, mas o Committee of Senior Officials acabou por dar luz verde a 80 Actions em maio de 2026. Assim, o máximo anunciado para a nova edição acaba por coincidir com o número que obteve financiamento na convocatória anterior.
O dado mais revelador para os potenciais candidatos encontra-se precisamente na edição anterior. A OC-2025-1 registou uma taxa de sucesso de 7,3% e o COST recebeu um volume recorde de propostas, com mais de 50.000 main e secondary proposers envolvidos. Nas palavras de García, “estes dados mostram até que ponto as COST Actions são um instrumento atrativo, mas também altamente competitivo”.
Para se destacar, não bastará cumprir os requisitos mínimos de elegibilidade. A proposta deverá demonstrar que existe um desafio para o qual a cooperação pan-europeia proporciona um claro valor acrescentado e que a criação de uma rede constitui o instrumento adequado. A complementaridade dos participantes, a capacidade de alargar a comunidade e uma estratégia de colaboração convincente serão, por isso, aspetos essenciais.

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Opinião
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Adrián Rivas
Líder de equipa especialista em Programas Europeus

Publicação
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