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Apoios de 1.400 milhões de euros do Conselho Europeu de Inovação em 2026
Entre as novidades, o EIC lança o concurso Advanced Innovation Challenges, uma iniciativa-piloto orientada para a inovação ‘deep tech’ de alto risco
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O seu Programa de Trabalho para 2026 introduz mais datas de cut-off e reforça o enfoque técnico
O essencial
O EIC Accelerator entra em 2026 com uma renovação profunda: mais datas de ‘cut-off’, uma avaliação mais técnica e rigorosa e um orçamento reforçado para atrair inovação disruptiva em setores estratégicos. Com estas mudanças, Bruxelas quer acelerar a passagem das tecnologias europeias do laboratório para o mercado e fortalecer a autonomia tecnológica da UE.
O EIC Accelerator, um dos instrumentos emblemáticos da Comissão Europeia para apoiar a inovação de alto risco, será renovado em 2026 com mais datas de cut-off anuais, um processo de avaliação mais técnico e individualizado e um orçamento reforçado que atinge 414 milhões de euros. Com estas novidades, Bruxelas pretende atrair mais projetos disruptivos e encurtar o percurso entre o laboratório e o mercado.
“Trata-se de uma evolução importante do programa”, sublinha Sara San Martín, consultora de projetos europeus na Zabala Innovation, que apoia empresas na preparação de propostas ao EIC. “Percebeu-se que a rapidez é essencial para competir com outras potências tecnológicas, e o novo calendário, com seis datas de cut-off por ano, oferece às PME mais oportunidades e flexibilidade”, acrescenta.
Até agora, o Accelerator do Conselho Europeu de Inovação (EIC) mantinha um convite permanentemente aberto para a apresentação de uma short proposal e organizava duas datas de cut-off por ano para a full proposal, um sistema que podia gerar estrangulamentos e atrasos na tomada de decisões. A partir de 2026, as datas de cut-off passam a seguir um ritmo bimestral (janeiro, março, maio, julho, setembro e novembro) para assegurar um fluxo contínuo de candidaturas e avaliações.
Outra novidade importante é a introdução de uma diligência técnica prévia (technical due diligence) já na fase da full proposal. Este passo permitirá aos peritos do programa avaliar de forma mais precisa o potencial tecnológico e comercial de cada projeto desde o início. “Essa avaliação mais aprofundada evitará que empresas pouco maduras cheguem às fases finais e acelerará as decisões de investimento”, observa San Martín. Nas suas palavras: “Num contexto de financiamento público cada vez mais competitivo, critérios mais técnicos e transparentes aumentam a eficiência”.
O orçamento também evolui, com um aumento de quase 8% face aos 384 milhões de euros deste ano, e o investimento mínimo para o financiamento misto (blended finance), que combina subvenção e capital, passará de 500 000 euros para 1 milhão de euros. No total, as empresas poderão receber até 2,5 milhões de euros em subvenção e até 10 milhões de euros em investimento, através do EIC Fund, que atua como investidor minoritário com participações até 25 %.
Desta forma, “o EIC não oferece apenas financiamento público: atua como catalisador para investidores que procuram projetos com visão de longo prazo e elevado impacto”, afirma San Martín.
O novo programa integra cinco grandes desafios temáticos que orientarão parte do orçamento para áreas consideradas estratégicas para a soberania tecnológica da UE:
“A Europa está a orientar os seus esforços para sectores onde a inovação pode fazer a diferença geopolítica e económica. O EIC Accelerator torna-se assim um instrumento estratégico para reforçar a autonomia tecnológica e energética do continente”, explica San Martín.
O esquema de avaliação também se altera. A primeira fase (proposta curta) utilizará um modelo simplificado e critérios de avaliação mais directos. Na segunda fase (proposta completa), o documento será reduzido a um máximo de 20 páginas e complementado por anexos técnicos e financeiros. Esta etapa incluirá uma entrevista técnica remota com os peritos do EIC. Finalmente, na terceira fase, as entrevistas do júri concentrar-se-ão num número menor de projectos, o que aumentará a taxa de sucesso final.
“A combinação de um formato mais curto, uma avaliação técnica mais rigorosa e uma maior frequência de concursos gera um ecossistema mais dinâmico”, indica San Martín. “Para as start-ups é uma boa oportunidade, mas também um apelo a uma melhor preparação: a concorrência será intensa”, alerta a especialista.
O EIC Accelerator mantém três modalidades de financiamento: subvenção, financiamento misto e investimento. A opção mais comum continua a ser o financiamento misto, destinado a start-ups e PME que necessitam de apoio tanto para o desenvolvimento tecnológico (níveis de maturidade tecnológica – TRL – entre 6 e 8) como para a expansão comercial (TRL 9).
Os projetos devem demonstrar maturidade tecnológica, viabilidade de mercado e uma estratégia clara de internacionalização. Rondas de financiamento anteriores são particularmente valorizadas. A este respeito, San Martín insiste que, num projeto para o EIC Accelerator, “a maturidade financeira é tão importante como a maturidade tecnológica”. A investment readiness e a capacidade de atrair capital privado são essenciais.
O EIC Accelerator é o pilar mais ambicioso do Conselho Europeu de Inovação, criado para colmatar a distância entre a investigação e a comercialização de tecnologias de ponta. Destina-se sobretudo a start-ups e PME europeias que desenvolvem inovações disruptivas com potencial global, especialmente no domínio da deep tech. As iniciativas que ultrapassam as várias fases de avaliação têm acesso não só a financiamento, mas também a mentoria, contactos e investidores dentro do ecossistema EIC.
“A Europa precisa de transformar o seu talento científico em empresas capazes de liderar o mercado mundial. O EIC Accelerator é um instrumento fundamental para que essa transição aconteça e para evitar que as tecnologias europeias permaneçam no laboratório”, conclui San Martín.

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Luz Esparza
Gestora de referência na área de Inovação e Transformação Digital

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