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PORTUGAL 2030

O maior erro que as empresas cometem ao preparar projetos de Inovação Produtiva

O essencial

O novo aviso de Inovação Produtiva, no âmbito do Portugal 2030, representa uma oportunidade relevante para PME que pretendam inovar, modernizar-se e reforçar a competitividade. No entanto, muitas empresas continuam a cometer o mesmo erro: estruturar a candidatura a partir dos equipamentos que querem adquirir, em vez de partir da transformação estratégica que pretendem alcançar. O aviso valoriza projetos capazes de gerar crescimento, diferenciação, eficiência, internacionalização e criação de valor, tornando essencial demonstrar a ligação entre estratégia, investimento e resultados futuros.

A estratégia orienta. A candidatura deve partir da evolução que a empresa quer alcançar, e não apenas da lista de equipamentos a adquirir.
O investimento transforma. Os apoios valorizam projetos que aumentem capacidade, diversifiquem a produção ou alterem significativamente os processos produtivos.
A inovação conta. O aviso financia investimentos produtivos com impacto claro na competitividade, na diferenciação e na criação de valor.
Os resultados pesam. As empresas devem demonstrar como o projeto vai gerar crescimento, eficiência e maior orientação para novos mercados.
A coerência decide. As candidaturas mais fortes mostram que o investimento é um meio para concretizar a estratégia empresarial.

A abertura do novo aviso de Inovação Produtiva, no âmbito do Portugal 2030, cria uma oportunidade relevante para PME com projetos orientados para a inovação, modernização e reforço da competitividade.

No entanto, é precisamente nesta fase que surge um dos erros mais frequentes: começar a candidatura pela lista de equipamentos, máquinas ou soluções tecnológicas a adquirir, procurando apenas depois construir uma justificação estratégica para esse investimento.

A lógica do aviso exige uma abordagem diferente. Mais do que apoiar investimentos isolados, este instrumento procura financiar projetos capazes de transformar a capacidade produtiva das empresas, promover a diferenciação da oferta, reforçar a orientação para mercados internacionais e gerar maior valor acrescentado.

“Existe ainda uma perceção muito enraizada de que uma candidatura forte depende sobretudo do valor do investimento ou da tecnologia adquirida. Na prática, os projetos mais competitivos são aqueles que conseguem demonstrar, de forma clara, a transformação que esse investimento vai gerar na empresa”, explica Patrícia Matos, consultora da Zabala Innovation.

O próprio enquadramento do aviso confirma esta orientação. São apoiadas operações associadas à criação de novos estabelecimentos, ao aumento da capacidade de unidades existentes, à diversificação da produção ou à introdução de alterações significativas nos processos produtivos.

Na prática, isso significa que o investimento deve estar ao serviço de objetivos empresariais mais amplos: lançar novas gamas de produtos ou serviços, reforçar a capacidade produtiva, aumentar a eficiência, responder a novos mercados ou consolidar vantagens competitivas.

Por essa razão, os projetos mais fortes tendem a partir de uma visão clara sobre o crescimento da empresa. A pergunta central não deve ser apenas “o que queremos comprar?”, mas sim “que evolução queremos alcançar e que investimento é necessário para a concretizar?”.

Empresas que conseguem demonstrar esta ligação entre estratégia, investimento e resultados futuros ficam melhor posicionadas para apresentar uma candidatura coerente, diferenciadora e alinhada com os objetivos do aviso.

“Os projetos mais fortes são aqueles em que o investimento é um meio para concretizar a estratégia — e não a estratégia em si”, conclui Patrícia Matos.