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Horizon Europe
Programas de trabalho preliminares do Horizon Europe 2026–2027 já disponíveis
Primeiras chaves para conceber propostas competitivas num ambiente de financiamento exigente
Energia
A inclusão no plano europeu de desenvolvimento das redes pode ser um requisito obrigatório ou uma vantagem estratégica, consoante o tipo de infraestrutura

Os prazos de apresentação de projetos para o Ten-Year Network Development Plan (TYNDP) 2026 já terminaram, mas o processo continua a ser essencial para compreender de que forma se estrutura o acesso ao financiamento europeu para infraestruturas energéticas. Com as datas-limite de outubro já ultrapassadas, a atenção dos promotores centra-se agora em que tipos de projetos devem fazer parte do TYNDP para poderem, no futuro, aspirar à designação de Projeto de Interesse Comum (PCI) ou Projeto de Interesse Mútuo (PMI), um passo prévio imprescindível para se candidatarem ao Connecting Europe Facility – Energy (CEF Energy), cujo orçamento para 2028–2034 poderá quintuplicar em relação ao período atual, segundo a proposta da Comissão Europeia.

Em termos simples, o TYNDP funciona como uma porta de entrada. No entanto, nem todos os projetos precisam de a atravessar para aceder ao financiamento europeu. Alguns são obrigados a fazê-lo, enquanto outros beneficiam simplesmente da sua inclusão. A distinção depende do tipo de infraestrutura, da sua finalidade no sistema energético europeu e do enquadramento regulamentar da Rede Transeuropeia de Energia (TEN-E).
No setor elétrico, o organismo responsável pelo TYNDP é a ENTSO-E, a Rede Europeia dos Operadores de Sistemas de Transporte de Eletricidade. De acordo com a legislação europeia e os critérios de avaliação atuais, os projetos que devem obrigatoriamente ser incluídos no TYNDP para poderem ser considerados PCI ou PMI são os seguintes:
Estes projetos são considerados essenciais para a integração do mercado elétrico europeu e para a transição energética, pelo que a inclusão no TYNDP é um requisito regulamentar antes de poderem obter a designação PCI ou PMI.
Por outro lado, as redes elétricas inteligentes (smart electricity grids), que integram sistemas digitais, plataformas operacionais e tecnologias de controlo e monitorização, não precisam de estar obrigatoriamente incluídas no TYNDP para aceder ao financiamento do CEF Energy. Contudo, a inclusão voluntária pode facilitar avaliações futuras e servir como garantia técnica perante a Comissão Europeia.
Estas redes inteligentes são fundamentais para modernizar a distribuição de eletricidade, facilitar a gestão da energia entre geração, consumo e armazenamento, e impulsionar novos modelos de negócio em regiões e sistemas insulares.
O desenvolvimento de infraestruturas de hidrogénio está sob a supervisão da ENTSOG, que também gere o TYNDP para o gás. Neste setor, a regulamentação distingue claramente entre as infraestruturas de transporte e armazenamento, que são obrigatórias no âmbito do TYNDP, e as instalações de produção, que não o são.
Devem ser incluídos no TYNDP os seguintes tipos de projetos:
Em contrapartida, os eletrólisadores, ou seja, as instalações que produzem hidrogénio por eletrólise da água, não são obrigados a fazer parte do TYNDP. A própria ENTSOG esclarece que os eletrólisadores podem candidatar-se ao estatuto de PCI ou PMI sem estarem incluídos no plano, embora a sua inclusão possa “facilitar futuras avaliações”, ao proporcionar maior visibilidade técnica e estratégica do seu papel no sistema energético europeu.
Outros dois tipos de projetos energéticos também constam do panorama regulamentar, embora com características próprias.
Por um lado, as redes de CO₂ (transporte e armazenamento) não estão diretamente ligadas ao TYNDP da ENTSOG. No entanto, os projetos desta categoria podem influenciar as avaliações de planeamento e de modelação energética, especialmente no que respeita às medidas de mitigação das emissões. A sua inclusão não é obrigatória, mas a Comissão Europeia recomenda o fornecimento de informações adicionais de modo a melhorar a sua avaliação, por exemplo, sobre a redução de metano ou as interações com outras infraestruturas energéticas.
Por outro lado, os projetos de redes de gás inteligente (smart gas grids) também não estão sujeitos à obrigação de fazer parte do TYNDP para se candidatarem ao financiamento do CEF Energy. Ainda assim, integrar o plano pode representar uma vantagem técnica, pois facilita a avaliação futura e a coerência com as estratégias europeias de descarbonização e digitalização do sistema gasista.

O CEF Energy é o principal instrumento financeiro da União Europeia para a execução da política das Redes Transeuropeias de Energia (RTE-E). Financia projetos de infraestruturas energéticas transfronteiriças, quer de nova construção, quer de modernização, destinados a promover a integração dos mercados, a interconexão das redes e a transição energética da União Europeia.
O orçamento total do CEF 2021–2027 ascende a 33,71 mil milhões de euros, dos quais 5,84 mil milhões são destinados à energia. Os projetos podem obter cofinanciamento até 50 % dos custos elegíveis, com percentagens superiores para as regiões ultraperiféricas.
A proposta da Comissão Europeia para o próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028–2034 prevê aumentar o orçamento total para 81,428 mil milhões de euros, com 29,912 mil milhões destinados à energia, correspondente a um aumento de cinco vezes em relação ao período atual, com o objetivo de reforçar as interconexões, completar as redes transeuropeias e fortalecer a resiliência energética da Europa.

Embora não garanta a elegibilidade para PCI ou PMI, a inclusão no TYNDP constitui uma etapa prévia obrigatória para muitos tipos de projetos e facilita a avaliação daqueles que não estão formalmente sujeitos a esse requisito. Por essa razão, recomenda-se aos promotores que posicionem as suas iniciativas com antecedência, a fim de poderem aceder posteriormente ao financiamento do CEF Energy.

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Opinião
ENERGIA

Carolina Simón
Consultora em Projetos Europeus, especialista em Energia

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