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Empreendedorismo

As candidaturas ao próximo concurso do Eurostars já estão em preparação

O essencial

O Eurostars, um dos principais programas europeus de financiamento da I&D internacional liderada por PME, enfrenta em 2026 um concurso mais exigente. Após o encerramento do primeiro cut-off do ano, o prazo de 10 de setembro obriga à preparação atempada das candidaturas. A concorrência europeia está a aumentar, a avaliação exige maior solidez em matéria de consórcio, mercado e inovação, e as condições nacionais de financiamento obrigam a verificar a elegibilidade desde o início.

Já está em preparação. A candidatura de setembro exige começar mais cedo e não esperar pelo verão.
Há mais concorrência. O Eurostars recebe cerca de 500 candidaturas por cut-off e financia aproximadamente 100 projetos.
Exige valor acrescentado real. Os avaliadores procuram cooperação, uma via plausível de entrada no mercado e elementos consistentes de inovação.
O país importa. Cada Estado aplica condições nacionais que importa validar desde o início.
Premeia a coerência. As propostas mais sólidas alinham inovação, consórcio, mercado, orçamento e plano de trabalho.

O Eurostars, um dos principais programas europeus de apoio à I&D internacional liderada por PME, entra em 2026 numa fase mais competitiva e seletiva. Após o encerramento da primeira data de cut-off do ano, no passado dia 19 de março, as empresas interessadas em candidatar-se ao próximo concurso, que encerra a 10 de setembro, já não se podem dar ao luxo de esperar pelo verão. “O aumento da pressão concorrencial na Europa e a necessidade de alinhar, desde o início, as diferentes condições nacionais de financiamento tornam a preparação antecipada um fator decisivo”, adverte Sara López, consultora da área de Empreendedorismo da Zabala Innovation.

O programa mantém as características que o tornaram uma referência para a inovação empresarial na Europa: uma abordagem bottom-up, orientação para o mercado e apoio a projetos desenvolvidos por pequenos consórcios internacionais. A sua lógica continua a ser a de impulsionar inovação próxima do mercado, liderada por PME. Mas o contexto em que opera mudou. Os sinais transmitidos nos últimos meses pela Eureka – a rede intergovernamental que coordena programas europeus de apoio à I&D colaborativa, entre os quais o Eurostars – e por várias sessões informativas nacionais apontam todos na mesma direção: a concorrência europeia continua a intensificar-se, embora alguns países estejam simultaneamente a reforçar os seus orçamentos de apoio. A oportunidade continua a ser relevante, mas a margem para apresentar propostas pouco maduras é cada vez menor.

Mais candidaturas, o mesmo financiamento

Os dados mais recentes do Eurostars-3 ilustram essa evolução. Cada data de cut-off reúne cerca de 500 candidaturas, das quais resultam financiados cerca de 100 projetos. Embora a taxa histórica de sucesso se tenha situado em torno dos 22%, nos concursos mais recentes tem-se aproximado mais dos 17-19%. Por outras palavras: a pressão à entrada aumenta, enquanto o número de projetos financiados se mantém, em termos gerais, estável.

Este endurecimento não se explica apenas pelo volume de candidaturas. Está também relacionado com a própria estrutura do programa. A avaliação está centralizada a nível europeu e todas as propostas elegíveis competem num único ranking internacional. Não existem quotas temáticas durante o processo de avaliação. Neste contexto, a qualidade técnica continua a ser imprescindível, mas já não garante, por si só, uma boa posição. “A diferença depende cada vez mais da capacidade do projeto para apresentar uma estrutura convincente, um posicionamento claro e uma justificação sólida”, observa López.

Maior exigência em cada proposta

O aumento da concorrência traduz-se também num escrutínio mais intenso do conteúdo das propostas. O Eurostars continua a avaliá-las com base em três dimensões com o mesmo peso: implementação, mercado e comercialização, e excelência em inovação. As propostas mais fortes são hoje aquelas que combinam um consórcio equilibrado, uma lógica de comercialização credível e uma inovação claramente diferenciada face ao estado da arte.

“Os avaliadores procuram cooperação com valor acrescentado real, uma via plausível de entrada no mercado e alegações de inovação sustentadas por elementos consistentes”, explica López. Em consequência, uma validação de mercado fraca, uma estrutura de consórcio mal justificada ou avanços incrementais apresentados como se fossem disruptivos tornam-se cada vez mais difíceis de defender. A qualidade da proposta já não depende apenas da ideia, mas da coerência de toda a arquitetura do projeto.

Foco nas PME portuguesas

Em Portugal, a preparação de uma proposta para o Eurostars exige a revisão, desde o início, das condições definidas pela Agência Nacional de Inovação (ANI). A participação portuguesa pode beneficiar de intensidades de apoio elevadas: até 80% dos custos do projeto para PME e small mid-caps, e até 85% para organizações de investigação ou universidades, dentro do enquadramento aplicável.

Mas a elegibilidade de uma proposta em Portugal não depende apenas do tipo de entidade. A participação deve estar alinhada com as prioridades nacionais ou regionais de Especialização Inteligente, e as condições territoriais também influenciam, especialmente em Lisboa, onde a taxa máxima de cofinanciamento é mais reduzida. Além disso, as organizações de investigação e as universidades portuguesas só podem aceder a financiamento se o consórcio incluir uma PME portuguesa ou uma empresa portuguesa da categoria small mid-cap. Daí que a verificação atempada seja especialmente importante quando a composição do consórcio, a localização regional ou a admissibilidade nacional podem afetar as condições de apoio.

A corrida de setembro já começou

Perante este cenário, “o prazo de 10 de setembro é a data-limite de um processo que tem de começar muito antes”, insiste López. “Uma proposta sólida exige tempo para alinhar parceiros internacionais, construir orçamentos equilibrados, validar hipóteses de mercado, definir um plano de trabalho coerente e assegurar o cumprimento das condições nacionais de elegibilidade”, acrescenta.

A experiência do programa mostra que os projetos que chegam tarde a esta fase costumam arrastar problemas de coerência interna, solidez financeira ou credibilidade comercial. Em contrapartida, “quem começa mais cedo dispõe de maior margem para afinar a sua proposta de valor, reforçar o seu alinhamento com as expectativas dos avaliadores e corrigir fragilidades antes da submissão”, conclui a especialista.