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Um guia para compreender o mapa comunitário dos apoios com impacto na comunidade
O essencial
O financiamento europeu para iniciativas com impacto nas comunidades continua a oferecer oportunidades relevantes, embora o acesso a essas oportunidades dependa cada vez mais de identificar corretamente o enquadramento de cada proposta. Programas como o Horizon Europe, a New European Bauhaus e o CERV desenham um mapa comunitário mais diversificado, onde coexistem investigação social, transformação urbana e projetos impulsionados a partir do terreno.
A União Europeia mantém em 2026 uma oferta alargada de financiamento para iniciativas com impacto social, desde projetos centrados na inclusão e na participação cívica até propostas de inovação capazes de responder a desafios sociais complexos. No entanto, esse apoio não é canalizado através de um único programa nem obedece a uma única lógica o mapa comunitário é cada vez mais diversificado e exige um maior rigor na definição do enquadramento de cada projeto.
É isso que sublinha Silvia Agrafojo, líder da Área de Inovação social de Projetos europeus na Zabala Innovation, ao destacar que Bruxelas “diversifica os instrumentos de financiamento em função da sua abordagem disciplinar e do seu alcance”. Essa lógica reflete-se em programas como o Horizon Europe, através do Cluster 2 em iniciativas como a New European Bauhaus, com um enfoque mais centrado no desenvolvimento urbano inclusivo e em avisos como os do CERV, que abrem oportunidades concretas para administrações públicas e organizações da sociedade civil.
Neste contexto, Agrafojo salienta que “compreender que tipo de projetos cada instrumento procura apoiar será fundamental para detetar oportunidades reais de financiamento ao longo do resto do ano”.
O Cluster 2 do programa-quadro Horizon Europe financia projetos de investigação e inovação centrados no reforço da governação democrática e da participação cívica, na promoção do património cultural e na resposta a transformações sociais, económicas e culturais com impacto na Europa.
Agrafojo considera este cluster, que integra o Pilar II do Horizon Europe, especialmente relevante, uma vez que “se trata de uma das principais vias para financiar projetos de investigação social aplicada, colocando a investigação social no centro das rubricas orçamentais dedicadas à I&D”.
Também integrada no Horizon Europe, a iniciativa New European Bauhaus (NEB) Facility promove projetos que combinam sustentabilidade, inclusão social e qualidade estética para transformar os espaços urbanos e melhorar os ambientes de vida.
“Esta iniciativa destaca-se sobretudo pela sua abordagem interdisciplinar, ao reunir setores diversos, e pela sua capacidade de levar a inovação social para o espaço urbano de forma tangível”, refere Agrafojo.
O programa Citizens, Equality, Rights and Values (CERV) procura reforçar as sociedades democráticas europeias através de projetos centrados na igualdade, na proteção de direitos e na participação cívica. Trata-se, além disso, de uma das vias de financiamento mais claras para administrações públicas e organizações da sociedade civil interessadas em lançar iniciativas com impacto direto nas comunidades. Como assinala Agrafojo, estes programas “permitem que atores como as administrações públicas ou as organizações da sociedade civil liderem projetos com impacto direto na cidadania, aproximando as políticas das necessidades reais da sociedade”.
Em 2026, estão ainda por publicar alguns dos avisos ligados à participação democrática, como o CERV-2026-CITIZENS-TOWN-TT e o CERV-2026-CITIZENS-REM aos direitos e valores da União, como o CERV-2026-CHAR-LITI e o CERV-2026-CITIZENS-VALUES e ao combate à violência de género, como o CERV-2026-DAPHNE.
Existem também outras oportunidades, como o programa Asylum, Migration and Integration Fund (AMIF), dedicado à gestão dos fluxos migratórios, ao asilo e à integração de nacionais de países terceiros, e o Fundo Social Europeu Mais (FSE+), orientado para a melhoria do emprego, da inclusão social, da educação e da formação.
“A Comissão Europeia está cada vez mais empenhada na inclusão de dimensões sociais em projetos técnicos, como os ligados à energia, à mobilidade ou à indústria, entre outros. Isso permite-nos alargar o olhar e considerar abordagens interdisciplinares num vasto leque de projetos”, sugere Agrafojo. “Este novo olhar convida-nos a incluir as Ciências Sociais e Humanas (SSH, na sigla em inglês) nos projetos, ou até a considerar o desenvolvimento de projetos-piloto de preparação social, conhecidos como societal readiness pilots”, conclui.

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Antonio Barrios
Consultor em projectos europeus

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