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A biotecnologia portuguesa enfrenta o desafio de ganhar escala

Maria João Sarmento
Consultora sénior de inovação
STEP
A diversificação da produção e o investimento em novas capacidades industriais assumem preponderância com o aviso STEP Energia
O essencial
A expansão de meios para desenvolver a participação da indústria nacional na cadeia de valor das baterias foi oficializado através dos apoios STEP Energia. Serão disponibilizados 175 milhões de euros para projetos de I&D&I Empresarial e Inovação Produtiva no domínio das tecnologias limpas e eficientes na utilização de recursos.

Consultor de inovação
Portugal apresentou, em agosto de 2026, a sua proposta para a Estratégia nacional de armazenamento de energia, que prevê o recurso a duas soluções para responder às necessidades do sistema elétrico: sistemas de baterias e bombagem hidroelétrica. O objetivo é o melhor aproveitamento da produção renovável, reforçando a segurança de abastecimento e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.
A eletrificação dos transportes, dos edifícios e da indústria aumenta a importância de ajustar o consumo e a produção de eletricidade, mas as oportunidades de descarbonização trazem associadas novas exigências e desafios para as redes e gestão do sistema elétrico, incluindo uma maior flexibilidade e capacidade de armazenamento. A competitividade industrial depende das condições e dos custos de acesso à energia, às matérias-primas e às tecnologias necessárias para esta transformação.
O armazenamento de energia permite utilizar eletricidade em momentos diferentes daqueles em que é produzida, aproveitando os excedentes procedentes das renováveis e diminuindo a necessidade de recorrer à produção a partir de combustíveis fósseis. A expansão do armazenamento prevista na proposta da estratégia nacional implica o reforço da cadeia de valor das baterias, e isto inclui agir sobre matérias-primas, equipamentos, sistemas e serviços.
A participação da indústria portuguesa neste investimento dependerá da sua capacidade de fornecer parte destas soluções. Para as empresas consumidoras, o benefício económico surge através do produto final da cadeia de valor: sistemas de baterias que permitirão ajustar e otimizar os momentos de compra e utilização de eletricidade em função das necessidades operacionais de cada empresa.
A cadeia de valor das baterias reúne atividades com exigências industriais distintas: extração e transformação de matérias-primas, produção de materiais e componentes, fabrico de células e módulos, integração de sistemas, reciclagem e recuperação de materiais. Os equipamentos de produção, a eletrónica, o software e os serviços de engenharia são necessários de forma transversal às várias etapas desta cadeia.
A participação portuguesa nesta cadeia de valor pode começar pela adaptação e diversificação de competências e processos industriais já existentes. Esta diversificação abrange possibilidades como o desenvolvimento de uma nova família de componentes, a adaptação de uma linha de produção ou o desenvolvimento de equipamentos para outros processos industriais.
Entre os exemplos estão o desenvolvimento de estruturas e componentes para módulos de baterias por empresas de metalomecânica, a conceção de equipamentos de montagem e ensaio por fabricantes de máquinas e o desenvolvimento de sistemas de controlo e gestão por empresas de eletrónica.
A entrada na cadeia de valor das baterias exige o cumprimento dos requisitos regulamentares previstos na legislação vigente, e das especificações técnicas dos fabricantes e integradores, pressupondo elevada qualidade, segurança, fiabilidade e custos competitivos.
A melhoria dos processos de gestão de energia permite reduzir o consumo e o desperdício de matérias-primas por unidade produzida, diminuindo as necessidades de recursos e os custos associados. Estes ganhos de eficiência contribuem, por sua vez, para a redução do impacto ambiental da produção. A oportunidade está em desenvolver especializações industriais com produtos e clientes identificados, interligando o conhecimento técnico de trabalhadores qualificados com uma capacidade de fabrico desenhada para as necessidades de um mercado europeu em rápida expansão.
O STEP Energia apoia investimentos no desenvolvimento e fabrico de tecnologias críticas e no reforço das respetivas cadeias de valor. Os avisos abertos em 30 de setembro de 2026 disponibilizam 75 milhões de euros para I&D&I Empresarial e 100 milhões para Inovação Produtiva, com candidaturas até 4 de janeiro de 2027. As dotações abrangem o domínio das tecnologias limpas e eficientes na utilização de recursos.
A modalidade de I&D&I Empresarial articula investigação e desenvolvimento em copromoção com investimento produtivo que incorpore os seus resultados. A Inovação Produtiva apoia operações individuais de fabrico de tecnologias críticas e reforço das suas cadeias de valor, incluindo a diversificação da produção e a alteração fundamental de processos produtivos.
Para a indústria portuguesa, o interesse destes apoios está na possibilidade de transformar competências existentes em novos produtos e investir na capacidade necessária para os fabricar. A adaptação de processos e linhas de produção facilita a entrada em novos mercados e a diversificação da carteira de clientes.

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