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STEP

Portugal abre novas oportunidades de financiamento STEP para tecnologias críticas

Ainda tem dúvidas ou acha que o seu projeto pode enquadrar-se num destes avisos? CONTACTE-NOS

O essencial

Os avisos STEP do Portugal 2030 oferecem novas oportunidades de financiamento para projetos de investigação, desenvolvimento e inovação e investimentos produtivos em tecnologias críticas nas áreas da energia, das tecnologias digitais e da biotecnologia. Estes apoios procuram reforçar a capacidade industrial europeia, reduzir dependências estratégicas e impulsionar a competitividade das empresas. As candidaturas terminam a 4 de janeiro de 2027.

Prazo de candidatura. As empresas podem apresentar candidaturas aos avisos STEP até 4 de janeiro de 2027.
Duas vias de financiamento. Os apoios STEP abrangem projetos de I&D&I empresarial e investimentos em inovação produtiva.
Tecnologias estratégicas. Os avisos financiam projetos em tecnologias críticas nas áreas da energia, das tecnologias digitais e da biotecnologia.
Cadeias de valor europeias. O STEP abrange não só tecnologias finais, mas também componentes, equipamentos, matérias-primas críticas e serviços especializados essenciais ao seu fabrico.
Desenvolvimento e industrialização. Os projetos STEP devem articular a maturidade tecnológica, o investimento industrial e o impacto estratégico na União Europeia.

Portugal conta com novas oportunidades de financiamento para impulsionar o desenvolvimento e o fabrico de tecnologias críticas nas áreas da energia, das tecnologias digitais e da biotecnologia. Integrados no Portugal 2030, os avisos da Plataforma de Tecnologias Estratégicas para a Europa (STEP, na sigla em inglês) procuram transformar os avanços tecnológicos em capacidade industrial dentro da União Europeia e contribuir para reduzir as suas dependências estratégicas. O prazo para a apresentação de candidaturas a estes concursos termina a 4 de janeiro de 2027.

Duas vias de financiamento consoante a maturidade tecnológica

As oportunidades contemplam vários instrumentos para as diferentes fases dos projetos. Por um lado, a I&D&I empresarial permite desenvolver, demonstrar e preparar tecnologias para a sua entrada no mercado. Por outro, a inovação produtiva apoia investimentos destinados a transformar essas tecnologias em capacidade de fabrico. Os instrumentos respondem, assim, a diferentes necessidades de investimento: desde o desenvolvimento e demonstração de tecnologias críticas até à criação de capacidade industrial para o seu fabrico e comercialização.

Esta distinção é relevante para empresas que pretendam avançar na maturidade tecnológica das suas soluções ou realizar investimentos estruturantes para iniciar, diversificar ou transformar a sua atividade produtiva. Nos atuais avisos STEP I&D&I, as operações devem combinar atividades de investigação e desenvolvimento com inovação produtiva, sendo a componente de I&D geralmente maioritária. Os projetos podem incluir recursos humanos de investigação, protótipos, projetos-piloto, materiais, componentes, equipamento técnico-científico, software e serviços especializados.

Os instrumentos de inovação produtiva, por sua vez, orientam-se para a criação ou o reforço da capacidade industrial. Entre os investimentos previstos encontram-se a criação de novos estabelecimentos, a diversificação da produção ou da atividade e alterações fundamentais dos processos produtivos, através de máquinas, equipamentos, software e outros ativos necessários ao fabrico das tecnologias.

Os dois blocos tecnológicos

O leque de tecnologias abrangidas é amplo. O STEP Energia inclui, entre outras áreas, tecnologias solares e eólicas, baterias e armazenamento de energia, hidrogénio, biogás, biometano, captura e armazenamento de carbono, redes elétricas e a sua digitalização, eficiência energética relacionadas com o sistema energético, tecnologias hidroelétricas e combustíveis sustentáveis. Inclui também processos industriais para a descarbonização, materiais avançados, fabrico e reciclagem, purificação e dessalinização de água e economia circular.

O STEP Digital e Biotecnologia, por sua vez, abrange áreas como a inteligência artificial, os semicondutores, a computação avançada, as tecnologias quânticas, a cibersegurança, a robótica e as aplicações biotecnológicas.

Não basta, contudo, atuar num destes setores. Para ser considerada crítica no contexto STEP, uma tecnologia deve combinar características inovadoras, emergentes ou de ponta, com potencial económico significativo para o mercado europeu, ou contribuir para reforçar cadeias de valor estratégicas e reduzir dependências da União Europeia.

Oportunidades para toda a cadeia de valor

“O STEP dá-nos uma indicação muito clara sobre onde a Europa quer desenvolver capacidade tecnológica e industrial”, explica Patrícia de Matos, consultora sénior da Zabala Innovation. “A visão de cadeia de valor amplia ainda mais esta oportunidade: não devemos olhar apenas para quem desenvolve o produto final. Os componentes, os equipamentos específicos, as matérias-primas críticas ou os serviços especializados necessários para fabricar essa tecnologia podem desempenhar um papel igualmente estratégico”, acrescenta.

Esta abordagem abre oportunidades a empresas ligadas a diferentes elos da cadeia de produção, para além das responsáveis pelo produto final. Coloca também o impacto do projeto no centro da sua conceção: o STEP procura aumentar a capacidade produtiva europeia, reforçar as cadeias de abastecimento, reduzir as dependências externas, gerar efeitos transfronteiriços e acelerar a adoção de tecnologias críticas.

Uma abordagem integrada para os projetos STEP

“Um projeto STEP não se constrói apenas a partir de uma boa tecnologia, mas sim ligando o desenvolvimento tecnológico, a maturidade e a I&D à industrialização, ao mercado e ao impacto estratégico europeu”, reitera Matos. Isto implica trabalhar, desde o início, a tecnologia e os níveis de maturidade tecnológica (TRL), a cadeia de valor, os parceiros e o consórcio, quando aplicável, o investimento, o modelo financeiro e o impacto como partes de um mesmo projeto. Nas palavras de Matos, “é precisamente nesta integração que a abordagem multidisciplinar da Zabala Innovation faz a diferença: reunimos competências técnicas, financeiras, estratégicas e de gestão de projetos para acompanhar todo o percurso, desde a definição do conceito até à apresentação da candidatura e à execução do projeto”.

A iniciativa europeia responde à transformação das cadeias de abastecimento globais e à competição internacional por tecnologias e matérias-primas críticas. “Para as empresas portuguesas, os avisos STEP colocam uma decisão concreta em cima da mesa: que investimentos preparar e em que fase do percurso – desde a I&D até à produção industrial – posicionar os seus projetos”, conclui a especialista.