Ir para notícias

Ciência

As infraestruturas europeias de investigação perante os desafios globais

Infraestruturas de investigação

A ciência europeia está a acelerar o passo. Num contexto global marcado por desafios partilhados — desde as alterações climáticas ao desenvolvimento de tecnologias disruptivas como a inteligência artificial — Bruxelas abriu um novo concurso ao abrigo do programa Research Infrastructures 2025, integrado no Pilar I do Horizon Europe. Com um orçamento de cerca de 400 milhões de euros, a iniciativa pretende continuar a construir uma rede robusta e sustentável de infraestruturas científicas que sirva de base à investigação de elevado impacto em todo o Velho Continente.

Tem um projeto inovador neste domínio? Nós podemos ajudá-lo!

Estas infraestruturas de investigação são muito mais do que grandes laboratórios ou centros de dados: trata-se de um ecossistema europeu que abrange instalações de ponta, recursos especializados e serviços de alto valor acrescentado, colocados ao serviço de cientistas de todas as disciplinas. Desde telescópios espaciais até plataformas de biotecnologia, estas infraestruturas possibilitam avanços que transformam setores inteiros e colocam a Europa na linha da frente do conhecimento global.

O novo concurso, já publicado e com data de encerramento a 18 de setembro de 2025, centra-se em quatro grandes áreas temáticas — as destinations — e inclui 18 topics, entre ações de investigação e inovação e ações de coordenação e apoio. Entre as suas prioridades destacam-se a sustentabilidade a longo prazo, a integração pan-europeia, a cooperação internacional e o impulso às tecnologias emergentes — tudo com uma orientação clara para os grandes desafios da sociedade.

Além disso, o programa aposta na formação de pessoal técnico, na colaboração com a indústria para o desenvolvimento de novas ferramentas científicas e na consolidação de iniciativas-chave como a Nuvem Europeia para a Ciência Aberta (EOSC) e o Destination Earth, que procura criar um modelo digital do planeta para simular e antecipar crises ambientais.

“O programa de trabalho deste ano representa um esforço abrangente para fortalecer o panorama europeu das infraestruturas de investigação, ampliando as capacidades de acesso aberto e promovendo sinergias entre a academia, a indústria e os decisores políticos”, explica Germán Zango, líder da área de Ciência e Educação na Zabala Innovation. “Ao centrar-se na sustentabilidade, na cooperação internacional e nos avanços tecnológicos de vanguarda, o Research Infrastructures procura melhorar o acesso transnacional às infraestruturas de investigação, desenvolver tecnologias de próxima geração e garantir que as instalações europeias se mantenham na vanguarda da ciência mundial”, acrescenta.

Através da Kaila — a plataforma inteligente criada pela Zabala Innovation, que permite procurar financiamento, quantificar as últimas tendências em inovação, acompanhar a concorrência e encontrar entidades parceiras — é possível traçar com exatidão esta e outras iniciativas no domínio da investigação.

‘Destinations’ e ‘topics’

INFRADEV – Consolidação e evolução do panorama europeu das infraestruturas de investigação

A formação do pessoal técnico nas infraestruturas de investigação é essencial para o seu bom funcionamento e para a inovação. Por isso, são atribuídos entre 1 e 1,5 milhões de euros por projeto para criar programas formativos que funcionem como balcão único, cobrindo necessidades específicas, promovendo a mobilidade e o desenvolvimento profissional contínuo.

No que respeita aos projetos do Fórum Estratégico Europeu sobre Infraestruturas de Investigação (ESFRI) que entraram na Roteiro de 2021, estes recebem um apoio financeiro entre 1 e 1,5 milhões de euros por projeto, para ultrapassar dificuldades iniciais como a obtenção de fundos, o estabelecimento de estruturas de governação e a definição de políticas de acesso, facilitando a sua implementação precoce.

Para garantir a sustentabilidade e a evolução das infraestruturas pan-europeias, são atribuídos entre 3 e 4 milhões de euros por projeto. O objetivo é reforçar a cooperação internacional, reorientar o âmbito das infraestruturas e criar novos serviços que respondam às exigências de uma comunidade científica mais ampla.

O ESFRI dispõe de entre 1,5 e 3 milhões de euros por projeto para aumentar a sua eficiência, visibilidade e capacidade de coordenação, avaliando novas candidaturas e promovendo a colaboração para reforçar a competitividade europeia.

Por fim, as ações preparatórias que exploram futuros quadros para planos de investimento, esquemas sustentáveis de acesso, e desenvolvimento tecnológico conjunto contam com 1 a 2 milhões de euros por projeto, procurando preparar o terreno para o futuro das infraestruturas de investigação.

INFRAEOSC – Capacitação de um ecossistema EOSC operacional, aberto e FAIR

Para avançar na federação multidomínio da EOSC, são atribuídos entre 6 e 8 milhões de euros por projeto aos nós EOSC, com o objetivo de expandir esta rede, estabelecer capacidades fundamentais de federação, abordar a interoperabilidade técnica, legal e organizacional e desenvolver modelos de negócio sustentáveis.

A melhoria da localização, acessibilidade, interoperabilidade e reutilização (FAIR) dos dados de investigação, dentro e fora do ecossistema EOSC, recebe um investimento entre 5 e 8 milhões de euros por projeto, destinado ao desenvolvimento de ferramentas automatizadas e padronizadas que apoiem a criação de objetos digitais FAIR desde a sua conceção.

Para fomentar a preparação para a inteligência artificial e a automação de processos, são destinados entre 7,5 e 15 milhões de euros por projeto para desenvolver ferramentas e protocolos que facilitem a fairificação dos dados e apoiem a integração da IA e do machine learning nos fluxos de trabalho científicos.

A profissionalização e capacitação de gestores de dados recebe entre 5 e 8 milhões de euros por projeto, com o objetivo de reforçar a cultura da open science, desenhar currículos coerentes, melhorar competências e ampliar redes de conhecimento.

O uso de inteligência artificial generativa na investigação científica é incentivado com apoios entre 7,5 e 10 milhões de euros por projeto, centrados no desenvolvimento de ferramentas que melhorem a qualidade e fairificação dos dados e que promovam a integração da IA/ML nos processos científicos.

INFRASERV – Serviços de infraestruturas para investigação em saúde, transição verde, transformação digital e conhecimento de fronteira

Para enfrentar os desafios da saúde pública, como pandemias ou medicina personalizada, são atribuídos apoios até 10 milhões de euros por projeto, facilitando o acesso a instalações de ponta e promovendo a colaboração internacional para inovar em diagnósticos e tratamentos.

A investigação em biotecnologia avançada, bioprodução e alterações climáticas conta com um apoio de 5 milhões de euros por projeto, promovendo a interdisciplinaridade através do acesso a infraestruturas especializadas e dados de vanguarda, para acelerar a transformação verde e digital da Europa.

Para apoiar descobertas revolucionárias nas ciências físicas, engenharia e ciências da vida, são disponibilizados até 10 milhões de euros por projeto, promovendo a partilha de conhecimento, experimentação avançada e novas metodologias que mantêm a Europa na linha da frente.

Adicionalmente, são financiados com 5 milhões de euros por projeto acessos transnacionais e virtuais para investigação impulsionada pela curiosidade, com atenção especial à sustentabilidade, inclusão e formação em gestão de dados.

INFRATECH – Instrumentação científica avançada, novas ferramentas e colaboração com a indústria

Reduzir a pegada ambiental das infraestruturas é prioritário, razão pela qual são atribuídos 5 milhões de euros por projeto para desenvolver tecnologias inovadoras que aumentem a eficiência dos recursos e reduzam o impacto climático ao longo de todo o ciclo de vida, incluindo a formação de pessoal.

A implementação de roteiros tecnológicos conta com até 10 milhões de euros por projeto para impulsionar a cocriação de soluções tecnológicas com a indústria, mantendo a Europa como referência em instrumentação e metodologias de alto desempenho.

Em apoio à iniciativa Destination Earth, são atribuídos entre 7 e 10 milhões de euros por projeto para aplicar inteligência artificial em simulações de impacto local baseadas em gémeos digitais, desenvolvendo interfaces inovadoras e estabelecendo boas práticas para avaliações avançadas.

Por fim, a criação de gémeos digitais gerados por IA para sistemas reais complexos dispõe de 8 a 10 milhões de euros por projeto, procurando revolucionar a investigação através de configurações avançadas de fusão de dados, visualização e demonstração do potencial transformador desta tecnologia.