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PROJECTOS TRANSFRONTEIRIÇOS

Descubra os IPCEI aprovados e os que estão por chegar

A sua empresa desenvolve projetos inovadores nas áreas das tecnologias digitais, microeletrónica, materiais avançados, energia ou biotecnologia? Descubra as oportunidades oferecidas pelos futuros IPCEI. CONTACTE-NOS

O essencial

Os Projetos Importantes de Interesse Europeu Comum (IPCEI, na sigla em inglês) permitem aos Estados-Membros financiar conjuntamente grandes iniciativas industriais e de inovação que, devido à sua dimensão, complexidade ou risco, dificilmente avançariam apenas com investimento privado. Os IPCEI aprovados abrangem cinco áreas estratégicas – baterias, hidrogénio, infraestruturas e serviços digitais, microeletrónica e tecnologias das comunicações e saúde –, enquanto a Comissão Europeia e os Estados-Membros preparam novas iniciativas em domínios como a inteligência artificial, as biotecnologias, os semicondutores avançados, os materiais circulares e as tecnologias nucleares inovadoras.

Baterias. Os IPCEI dedicados às baterias impulsionam toda a cadeia de valor, desde as matérias-primas e as células até à reciclagem e à reutilização.
Hidrogénio. Os quatro IPCEI dedicados ao hidrogénio desenvolvem tecnologias, infraestruturas e aplicações industriais e de mobilidade para substituir progressivamente os combustíveis fósseis.
Infraestruturas e serviços digitais. O IPCEI CIS promove um ecossistema europeu aberto e interoperável para o tratamento de dados ao longo de todo o contínuo entre a nuvem e o ‘edge’.
Microeletrónica e tecnologias das comunicações. Os IPCEI deste domínio reforçam o desenvolvimento europeu de chips, sensores, microprocessadores e tecnologias associadas ao 5G, ao 6G e à inteligência artificial.
Saúde. Os IPCEI dedicados à saúde aceleram o desenvolvimento de medicamentos, terapias personalizadas, dispositivos médicos e soluções digitais para responder a necessidades médicas ainda não satisfeitas.

Nos últimos anos, a União Europeia transformou os Projetos Importantes de Interesse Europeu Comum (IPCEI), um instrumento de auxílios estatais destinado a impulsionar grandes projetos industriais e de inovação, numa das suas principais ferramentas para reforçar a autonomia estratégica do continente. Graças a este mecanismo, os Estados-Membros podem apoiar iniciativas que, devido à sua dimensão, complexidade e risco, dificilmente avançariam apenas com investimento privado. Neste artigo, analisamos os 11 IPCEI aprovados até à data e os novos projetos que já se encontram em fase de conceção.

IPCEI aprovados

Baterias

Este percurso começa pelo primeiro IPCEI dedicado às baterias. Os sete países participantes – Alemanha, Bélgica, Finlândia, França, Itália, Polónia e Suécia – autorizaram até 3,2 mil milhões de euros de financiamento público, com a expectativa de mobilizar mais 5 mil milhões de euros de investimento privado. A iniciativa reúne 17 empresas, que colaboram entre si e com mais de 70 parceiros externos, incluindo PME e organismos de investigação de diferentes países europeus.

O projeto abrange todos os segmentos da cadeia de valor das baterias, desde a extração e o tratamento de matérias-primas até à conceção de células, aos sistemas de baterias, à reciclagem e à reutilização. As suas atividades procuram desenvolver baterias de iões de lítio mais duradouras, seguras e rápidas de carregar, bem como reduzir as emissões, o consumo de recursos e os resíduos gerados durante o seu fabrico.

O segundo IPCEI dedicado às baterias, denominado European Battery Innovation, foi preparado por Alemanha, Áustria, Bélgica, Croácia, Eslováquia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Itália, Polónia e Suécia. Os 12 Estados-Membros poderão disponibilizar até 2,9 mil milhões de euros de financiamento público, com a expectativa de mobilizar mais 9 mil milhões de euros de investimento privado. Participam 42 empresas, que desenvolvem projetos em diferentes pontos da cadeia de valor.

A iniciativa complementa o primeiro IPCEI através do desenvolvimento de novas composições químicas para as células, materiais avançados, processos de produção inovadores, sistemas de gestão de baterias e soluções de reciclagem. O projeto atribui especial atenção à sustentabilidade, à eficiência energética, à digitalização do fabrico e à recuperação de matérias-primas estratégicas.

Hidrogénio

O Hy2Tech constitui o primeiro IPCEI da cadeia de valor do hidrogénio. Portugal, Alemanha, Áustria, Bélgica, Chéquia, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Itália, Países Baixos e Polónia poderão disponibilizar até 5,4 mil milhões de euros de financiamento público, com a expectativa de mobilizar mais 8,8 mil milhões de euros de investimento privado. O projeto reúne 35 empresas, que desenvolvem 41 iniciativas de investigação, inovação e primeira aplicação industrial.

A iniciativa abrange tecnologias relacionadas com a produção de hidrogénio, as pilhas de combustível, o armazenamento, o transporte, a distribuição e as aplicações de utilização final. Entre os seus objetivos encontram-se a melhoria da eficiência dos eletrolisadores, o desenvolvimento de novos materiais e sistemas de pilhas de combustível e a introdução de soluções que permitam utilizar o hidrogénio para descarbonizar processos industriais e determinados meios de transporte.

O Hy2Infra centra-se nas infraestruturas necessárias para produzir, transportar, armazenar e importar hidrogénio renovável. Portugal, Alemanha, Eslováquia, França, Itália, Países Baixos e Polónia poderão conceder até 6,9 mil milhões de euros de apoio público, com os quais se espera mobilizar mais 5,4 mil milhões de euros de investimento privado. O IPCEI inclui 33 projetos desenvolvidos por 32 empresas, entre as quais várias PME.

Os projetos preveem instalar 3,2 gigawatts de eletrolisadores de grande escala, construir ou adaptar aproximadamente 2 700 quilómetros de redes de transporte e distribuição e desenvolver instalações de armazenamento com uma capacidade mínima de 370 gigawatts-hora. Incluem igualmente terminais e infraestruturas portuárias para movimentar até 6 000 toneladas anuais de hidrogénio transportado através de vetores orgânicos líquidos.

O Hy2Use está orientado para a integração do hidrogénio nos processos industriais e para o desenvolvimento das infraestruturas associadas a estas aplicações. Foi notificado por Portugal, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Itália, Países Baixos, Polónia e Suécia. Os 13 países poderão disponibilizar até 5,2 mil milhões de euros de financiamento público, que deverão mobilizar mais 7 mil milhões de euros de investimento privado. A iniciativa integra 35 projetos de 29 empresas.

O IPCEI apoia tecnologias inovadoras que permitem substituir o gás natural e outros combustíveis fósseis por hidrogénio renovável ou hipocarbónico em setores industriais difíceis de descarbonizar. O Hy2Use complementa o Hy2Tech ao aplicar os avanços tecnológicos a processos de produção concretos e ao promover a construção de instalações de produção, transporte e utilização industrial do hidrogénio.

O Hy2Move aborda os principais desafios associados à utilização do hidrogénio na mobilidade e nos transportes. Alemanha, Eslováquia, Espanha, Estónia, França, Itália e Países Baixos poderão conceder até 1,4 mil milhões de euros de auxílios públicos, com a expectativa de mobilizar mais 3,3 mil milhões de euros de investimento privado. O projeto reúne 11 empresas, incluindo PME e empresas emergentes, que desenvolverão 13 iniciativas inovadoras.

As atividades incluem plataformas de veículos com pilhas de combustível para autocarros e camiões, sistemas capazes de fornecer energia a navios e locomotivas e soluções de armazenamento de hidrogénio a bordo, incluindo depósitos leves e resistentes para aeronaves. Serão também desenvolvidas tecnologias que permitam produzir hidrogénio de elevada pureza diretamente nas estações de abastecimento.

Infraestruturas e serviços digitais

O IPCEI de Infraestruturas e Serviços de Nuvem de Próxima Geração, conhecido como IPCEI CIS, foi notificado por Alemanha, Espanha, França, Hungria, Itália, Países Baixos e Polónia. Estes sete Estados-Membros poderão disponibilizar até 1,2 mil milhões de euros de financiamento público, com a expectativa de mobilizar mais 1,4 mil milhões de euros de investimento privado. Dezanove empresas, incluindo várias PME, desenvolverão o mesmo número de projetos inovadores.

O seu objetivo é criar o primeiro ecossistema europeu interoperável e aberto para o tratamento de dados ao longo de toda a infraestrutura entre a nuvem e o edge. Os participantes desenvolverão ferramentas de código aberto, serviços de baixa ocultaçao e tecnologias federadas e energeticamente eficientes, que poderão ser aplicadas em áreas como a energia, a saúde, a indústria e o transporte marítimo.

Microeletrónica e telecomunicações

O primeiro IPCEI de microeletrónica foi inicialmente notificado por Alemanha, França, Itália e Reino Unido, quando este último ainda fazia parte da União Europeia. A Áustria aderiu posteriormente, em 2021, através de três projetos empresariais adicionais. O programa inicial previa até 1,75 mil milhões de euros de apoio público e cerca de 6 mil milhões de euros de investimento privado, enquanto a participação austríaca acrescentou até 146,5 milhões de euros de financiamento estatal.

A iniciativa apoiou projetos relacionados com chips, circuitos integrados, sensores, semicondutores de potência, componentes energeticamente eficientes e tecnologias avançadas de encapsulamento. Estes desenvolvimentos aplicam-se a áreas como os veículos conectados e automatizados, a Internet das Coisas, os eletrodomésticos, os sistemas industriais e a gestão de baterias para a mobilidade elétrica e o armazenamento de energia.

O IPCEI de Microeletrónica e Tecnologias das Comunicações (ME/CT) foi preparado por Alemanha, Áustria, Chéquia, Eslováquia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Malta, Países Baixos, Polónia e Roménia. Os 14 Estados-Membros poderão disponibilizar até 8,1 mil milhões de euros de financiamento público, com a expectativa de mobilizar mais 13,7 mil milhões de euros de investimento privado. No total, 56 empresas desenvolverão 68 projetos, apoiadas por participantes associados e parceiros indiretos de toda a Europa.

Os projetos abrangem toda a cadeia de valor, desde os materiais e as ferramentas até à conceção de microprocessadores e aos processos de fabrico. Os seus resultados contribuirão para o desenvolvimento das comunicações 5G e 6G, da inteligência artificial, da condução autónoma e da computação quântica, além de impulsionarem sistemas eletrónicos e métodos de produção que consumam menos energia e recursos.

Saúde

O Tech4Cure é o IPCEI mais recentemente aprovado pela Comissão Europeia e o segundo dedicado à área da saúde. Autorizado em 22 de julho de 2025, o projeto procura impulsionar a inovação em dispositivos médicos e foi notificado conjuntamente pela Eslováquia, Eslovénia, França, Hungria e Itália. Estes cinco Estados-Membros disponibilizarão até 403 milhões de euros de financiamento público, com a expectativa de mobilizar mais 826 milhões de euros de investimento privado.

O Tech4Cure reúne dez empresas – seis das quais PME – que desenvolverão dez projetos inovadores, com a colaboração adicional de 18 participantes associados. A iniciativa está orientada para o desenvolvimento de dispositivos médicos que integrem soluções digitais e de inteligência artificial, com o objetivo de promover uma medicina preditiva, preventiva e personalizada, conhecida como medicina 3P. O IPCEI apoiará tanto a investigação e a inovação colaborativas como a primeira aplicação industrial destas tecnologias.

O Med4Cure é o primeiro IPCEI dedicado à área da saúde. Foi notificado conjuntamente por Bélgica, Eslováquia, Espanha, França, Hungria e Itália, que poderão disponibilizar até mil milhões de euros de financiamento público para mobilizar cerca de 5,9 mil milhões de euros adicionais de investimento privado. A iniciativa reúne 13 empresas – nove das quais PME –, responsáveis por 14 projetos de investigação, inovação e primeira aplicação industrial.

O projeto abrange as principais fases da cadeia de valor farmacêutica, desde a recolha e análise de células, tecidos e outras amostras até ao desenvolvimento de terapias personalizadas, tecnologias digitais avançadas e processos de produção mais sustentáveis. O seu objetivo é acelerar a descoberta de medicamentos, responder a necessidades médicas ainda não satisfeitas, como determinadas doenças raras, e reforçar a preparação da UE perante ameaças sanitárias emergentes.

Próximos IPCEI

A nova geração de IPCEI encontra-se atualmente em fase de conceção. Neste contexto, vários IPCEI candidatos já foram oficialmente integrados no Design Support Hub, o mecanismo criado pela Comissão Europeia para preparar futuras iniciativas. Entre eles destacam-se os dedicados a Artificial Intelligence (AI), Compute Infrastructure Continuum (CIC), Advanced Semiconductor Technologies, Circular Advanced Materials for Clean Technologies (CAM) e Innovative Nuclear Technologies, aos quais se juntou recentemente a área das Biotechnologies.

Ao contrário dos IPCEI já aprovados, estas novas iniciativas ainda não dispõem de uma configuração definitiva, quer dos projetos, quer das empresas participantes. O seu âmbito continua a ser definido conjuntamente pela Comissão Europeia e pelos Estados-Membros interessados, antes do início dos processos nacionais de manifestação de interesse e de seleção de projetos.