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Indústria

Uma alternativa complementar ao Innovation Fund para financiar pilotos industriais

O essencial

O novo concurso associado ao Clean Industrial Deal, no âmbito do Horizon Europe, abre uma via complementar ao programa Innovation Fund para financiar pilotos industriais com elevada maturidade tecnológica. Com um orçamento total de 540 milhões de euros para 2026 e 2027, Bruxelas aposta em projetos prontos para alcançar a Final Investment Decision (FID) e demonstrar viabilidade real de mercado antes da entrada em operação comercial.

540 milhões de euros para pilotos industriais. O concurso disponibiliza 275 milhões de euros em 2026 e 265 milhões de euros em 2027 para apoiar 32 projetos, com subvenções até 25 milhões de euros por projeto.
Exige elevada maturidade tecnológica. Bruxelas procura projetos capazes de atingir a Final Investment Decision (FID) e demonstrar viabilidade técnica, operacional e financeira.
Prioriza descarbonização e tecnologias limpas. O programa financia soluções para indústrias intensivas em energia, sistemas energéticos com emissões líquidas nulas e tecnologias avançadas de produção e armazenamento.
Impõe demonstração de mercado real. Os consórcios devem apresentar um modelo de negócio sólido e uma estratégia clara de acesso ao mercado.
Introduce um filtro ‘go/no-go’. A Comissão Europeia avaliará a engenharia detalhada (pormenorização técnica), o plano financeiro e as licenças necessárias antes de autorizar a execução definitiva do piloto.

Boas notícias para os industriais que procuram financiamento para o seu piloto e para ultrapassar o chamado vale da morte antes da entrada no mercado. Os projetos com um nível de maturidade muito avançado, mas que ainda necessitam de afinar processos, otimizar tecnologias ou validar soluções antes do arranque comercial, dispõem agora de uma nova via de financiamento. Se até agora a principal – e talvez única – oportunidade que lhes era oferecida era o programa Innovation Fund dedicado ao desenvolvimento de pilotos industriais, o leque alarga-se com o lançamento do concurso associado ao Clean Industrial Deal, no âmbito do Horizon Europe. O seu orçamento ascende a 275 milhões de euros em 2026 e 265 milhões de euros em 2027, prevendo apoiar cerca de 32 pilotos industriais através de subvenções entre 15 e 25 milhões de euros por projeto. O prazo para apresentação de candidaturas termina a 15 de setembro.

Tem um projeto-piloto industrial num estádio de maturidade avançado?

A minha tecnologia enquadra-se neste concurso?

O concurso contempla seis vertentes tecnológicas para pilotos industriais, agrupadas em dois grandes blocos.

Descarbonização de indústrias intensivas em energia

Gestão do ciclo do carbono (CCU e/ou CCUS): otimização e demonstração de soluções para a captura, utilização ou armazenamento de CO₂ e/ou CO provenientes de instalações industriais intensivas em energia. Exige-se uma redução significativa do consumo energético por tonelada capturada — com um objetivo de 30% face às tecnologias atuais — bem como um claro potencial de comercialização dos produtos descarbonizados, avaliado através de análise de ciclo de vida (ACV), dimensão de mercado e custos.

Utilização de energia limpa na produção: eletrificação de processos, produção descarbonizada, integração de vetores energéticos alternativos (como o hidrogénio) e novas tecnologias, armazenamento renovável no local e valorização ou melhoria do calor residual. O objetivo é alcançar melhorias substanciais na utilização de energia limpa na indústria intensiva em energia até 2035.

Circularidade e eficiência de recursos (materiais, energia e água): melhoria de 30% até 2035 face aos níveis industriais atuais, através de soluções tecnológicas comercialmente viáveis. Procura-se uma redução significativa do consumo de matérias-primas, energia e água, bem como do impacto nos ecossistemas e das emissões, através de cadeias de valor circulares que transformem subprodutos industriais e resíduos em fim de vida em novas matérias-primas para as quais ainda não existem tecnologias de baixo carbono. As soluções deverão apresentar um balanço positivo em ACV e ser viáveis no quadro regulamentar previsto no final do projeto.

Tecnologias limpas para a ação climática

Sistemas energéticos integrados com emissões líquidas nulas: desenvolvimento e integração de redes, infraestruturas e sistemas energéticos capazes de operar numa lógica de neutralidade climática.

Tecnologias avançadas de produção sem emissões: promoção de tecnologias de eletricidade, calor e energias renováveis que permitam avançar para sistemas energéticos totalmente descarbonizados.

Tecnologias de armazenamento, combustíveis renováveis e CCU: soluções como baterias e outros sistemas de armazenamento de energia, hidrogénio renovável, biocombustíveis avançados e combustíveis sintéticos renováveis, bem como tecnologias de captura e utilização de carbono, todas orientadas para facilitar a neutralidade climática.

Um concurso para pilotos industriais reais

“Apesar de se enquadrar formalmente no Horizon Europe, este concurso afasta-se do modelo clássico de projetos colaborativos de I&D mais exploratórios”, sublinha Daniel Magni, coordenador de Operações em Projetos Europeus da Zabala Innovation. Bruxelas exige aqui um nível de maturidade técnica, operacional e financeira significativamente superior ao habitual.

Por isso, já na fase de candidatura, os consórcios deverão demonstrar que o piloto pode alcançar a Final Investment Decision (FID) e apresentar um modelo de negócio e uma estratégia de preparação para o mercado (market-readiness strategy) muito mais desenvolvidos e detalhados do que é norma noutras convocatórias do programa-quadro. Não basta comprovar excelência tecnológica: é necessário demonstrar viabilidade real e indicar um percurso claro até ao mercado.

Esta lógica reforça-se durante a execução. O marco crítico será precisamente a FID do piloto, momento em que a Comissão Europeia adotará uma decisão de go/no-go com base na documentação apresentada. Serão exigidos, entre outros elementos, engenharia de detalhe, avaliação tecnoeconómica, plano de negócio completo, estratégia de acesso ao mercado, identificação do parceiro industrial líder e as respetivas licenças. Na prática, trata-se de um filtro semelhante ao de instrumentos como o Innovation Fund, onde o foco está em projetos prontos para investir e crescer, e não em investigação incremental.

Experiência para responder a concursos complexos

A experiência prévia em programas europeus é fundamental para abordar com sucesso um concurso desta complexidade. A Zabala Innovation conta com um percurso consolidado tanto no Horizon Europe como no Innovation Fund, tendo obtido mais de 750 milhões de euros para os seus clientes no primeiro, desde o seu lançamento em 2021, e tendo mobilizado cerca de 2.100 milhões de euros no segundo, ativo desde 2020. Este percurso permite à consultora acompanhar empresas industriais e consórcios em todas as fases do processo, desde a definição estratégica do piloto até à estruturação de candidaturas alinhadas com os requisitos técnicos, financeiros e de mercado exigidos pelo Clean Industrial Deal.

Neste contexto, a Zabala Innovation sublinha a necessidade de antecipação. “Apesar de o prazo terminar em setembro, não é simples alcançar acordos entre os diferentes stakeholders para pôr em marcha um piloto industrial real”, alerta Magni. “Por isso, o melhor momento para analisar o enquadramento dos projetos neste concurso é agora”, conclui.

A Zabala Innovation estará presente com um stand nos European Industrial Energy Days, em Roterdão, no próximo dia 4 de março, para trocar impressões com atores industriais sobre as oportunidades abertas por este concurso e analisar potenciais projetos.