
Notícias
Agenda sustentável
Cinco programas da UE para impulsionar a inovação nas cidades e regiões
Os concursos europeus de 2026 oferecerão financiamento para projetos climáticos, urbanos e de design sustentável
Cidades
A European Urban Initiative financiará projetos-piloto inovadores até 2 milhões de euros, facilitando o acesso das autoridades locais de pequena e média dimensão e simplificando a gestão financeira
O essencial
A European Urban Initiative lança o seu quarto aviso de Ações Inovadoras, dotado de 60 milhões de euros do FEDER, com uma mudança clara para a execução concreta de projetos urbanos. Alarga o acesso a autoridades locais a partir dos 25.000 habitantes, aumenta o financiamento até 2 milhões de euros por projeto e simplifica a gestão para atrair municípios com menor experiência em fundos europeus.
A European Urban Initiative (EUI) lançou esta quarta-feira o seu quarto aviso de Ações Inovadoras (EUI-IA), dotado de 60 milhões de euros do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), introduzindo alterações relevantes que representam um ponto de viragem face às edições anteriores. O instrumento mantém a sua essência: financiar projetos-piloto que testem soluções inovadoras para desafios urbanos concretos. Este novo aviso, contudo, ajusta o foco para a implementação real e local, alarga o acesso a cidades médias e pequenas e simplifica o enquadramento financeiro para facilitar a participação de municípios com menor experiência na gestão de fundos europeus. O prazo para a apresentação de propostas termina em 15 de setembro de 2026.
Tem um projeto inovador neste domínio? Nós podemos ajudá-lo!
“Este aviso marca uma mudança de abordagem”, destaca Antonio Barrios, consultor da área de Cidades e Regiões da Zabala Innovation e responsável pelo aviso EUI nesta consultora. “A inovação urbana deixa de ser avaliada pela sua novidade à escala europeia e passa a ser medida pela sua capacidade real de implementação no contexto local”, acrescenta.
Uma das principais novidades é a redução do limiar populacional: poderão apresentar propostas autoridades urbanas a partir dos 25.000 habitantes, face aos 50.000 anteriormente exigidos. Além disso, não poderão candidatar-se como beneficiárias as cidades que já tenham recebido financiamento nas três primeiras edições.
“Não se trata apenas de uma questão de elegibilidade. Com este redesenho, a Comissão Europeia está a enviar um sinal estratégico: a transformação económica, social e climática da UE não depende exclusivamente das grandes capitais. As cidades pequenas são fundamentais para a coesão e a competitividade territorial”, afirma Barrios.
O aviso alarga o conceito de inovação urbana. Esta não se limita a soluções tecnológicas, incluindo também novos modelos de governação, serviços públicos, processos organizacionais ou formas de colaboração público-privada. Esta abordagem transversal estrutura-se em seis grandes áreas prioritárias:
“A inovação não é um fim em si mesma. O que é avaliado no âmbito do aviso EUI-IA é se a solução melhora de forma tangível a forma como uma cidade enfrenta um problema real”, explica Barrios.
A duração total do projeto será de 30 meses, distribuídos por 3 meses de arranque, 24 meses de implementação e 3 meses de encerramento. “Este enquadramento reforça a importância da viabilidade operacional”, salienta Barrios, que alerta: “Muitas candidaturas falham por fragilidades na execução, e não por falta de inovação. Contratação pública, licenças, cronograma e medição de resultados são aspetos determinantes, sobretudo quando existe investimento em infraestruturas.”
Cada projeto poderá dispor de um orçamento máximo de 2,5 milhões de euros, dos quais até 80% poderão ser financiados pelo FEDER, o que equivale a 2 milhões de euros. Os restantes 20% deverão corresponder a cofinanciamento local.
No plano financeiro, entre as novidades destacam-se:
“Estas medidas procuram reduzir a carga administrativa e melhorar a previsibilidade orçamental, especialmente para cidades com menor experiência na gestão de fundos europeus”, sublinha Barrios.
O aviso exige uma estrutura de governação clara, com uma autoridade urbana como líder e responsável integral pelo projeto, acompanhada por parceiros de execução – empresas, universidades, centros tecnológicos ou operadores encarregues da implementação técnica – e por partes interessadas estratégicas que garantam legitimidade, adoção e sustentabilidade. Estas últimas influenciam o projeto, mas não desempenham qualquer papel direto na sua execução, não dispõem de orçamento e não são consideradas parceiras. “Não se trata de somar entidades, mas de definir com precisão quem decide, quem executa e quem assegura a manutenção da solução após a conclusão do piloto”, aponta Barrios.
A área de Cidades e Regiões da Zabala Innovation sublinha que o sucesso no aviso EUI-IA depende menos da originalidade do discurso e mais da solidez técnica e estratégica da proposta. Nesse sentido, recomenda que as cidades interessadas comecem desde já a estruturar a sua candidatura com bases operacionais claras.
As propostas deverão partir da identificação precisa de um problema urbano concreto, sustentado em dados, e justificar o caráter inovador da solução face às práticas atuais. Será igualmente fundamental adotar uma abordagem place-based, adaptada ao contexto específico da cidade, incorporar mecanismos de participação cidadã alinhados com os princípios da Nova Carta de Leipzig e demonstrar capacidade transformadora e coerência com as estratégias urbanas locais.
Paralelamente, a Comissão Europeia valorizará especialmente a clareza na governação e na execução: construir uma parceria mínima viável, definir responsabilidades desde o início e desenhar a implementação antes da narrativa. A replicabilidade e a sustentabilidade do projeto, entendidas como um modelo transferível para outras cidades, serão também fatores determinantes.
“O aviso EUI-IA não financia ideias abstratas, mas sim capacidade de execução”, resume Barrios. “As cidades que começarem desde já a trabalhar na governação, no planeamento operacional e em parcerias sólidas terão uma vantagem competitiva em 2026”, conclui.

Notícias
Agenda sustentável
Os concursos europeus de 2026 oferecerão financiamento para projetos climáticos, urbanos e de design sustentável

Opinião
Política urbana

Antonio Barrios
Consultor em projectos europeus

Publicação
Programas Europeus
Reunimos os convites à apresentação de propostas dos programas Europeus mais relevantes num calendário disponível para download!
A Europa oferece muitas oportunidades para apoiar e promover ações de investigação, desenvolvimento e inovação. A concorrência é elevada e estar bem posicionado entre os intervenientes ativos em cada setor requer um plano de ação bem pensado e uma forma ativa de promover a visibilidade em Bruxelas.
Para maximizar o sucesso e impacto de um projeto, gerimos as atividades de comunicação e divulgação, mas também definimos uma estratégia de inovação social e ferramentas para medir o seu impacto.
A atividade inovadora da tua empresa pode ser recompensada através de benefícios fiscais