
Opinião
Horizon Europe
Horizon Europe e o seu impacto na inovação europeia

Camino Correia
Diretora de Projetos Europeus / Comité Executivo
2025 EU Industrial R&D Investment Scoreboard
A competitividade da Europa depende do investimento em I&D: ensinamentos do EU Industrial R&D Investment Scoreboard
O essencial
O Scoreboard 2025 confirma a perda de competitividade da Europa em I&D face aos EUA e à Ásia. Obstáculos estruturais persistem, tornando o FP10 e o Fundo Europeu de Competitividade fundamentais.

Diretor de Relações Institucionais em Bruxelas
A Europa enfrenta um desafio decisivo. Num contexto global cada vez mais competitivo, a investigação e a inovação (I&I) tornaram-se elementos centrais do crescimento económico, da liderança industrial e da autonomia estratégica. Reforçar o investimento em I&D na Europa deixou de ser opcional: é essencial para reduzir o diferencial de competitividade face aos líderes mundiais.
O EU Industrial R&D Investment Scoreboard 2025, publicado pelo Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, apresenta uma avaliação baseada em dados do desempenho europeu em matéria de inovação. Quando analisado em conjunto com o relatório de Mario Draghi sobre a competitividade europeia e o relatório de Enrico Letta sobre o futuro do Mercado Único, a conclusão é inequívoca: a Europa tem de aumentar significativamente e estruturar melhor o seu investimento em I&D, enfrentando simultaneamente os obstáculos estruturais que limitam a escala e o impacto transfronteiriço.
Em 2024, o investimento em I&D das empresas sediadas na UE cresceu 2,9 %, um valor bastante inferior ao registado nos Estados Unidos (7,8 %), no Japão (7,1 %) e noutras economias fortemente orientadas para a inovação. Este desfasamento reflete desafios estruturais e estratégicos: embora a Europa continue a acolher empresas de referência mundial e excelência científica, a sua intensidade de investimento e capacidade de escalar permanecem limitadas quando comparadas com as dos seus concorrentes globais.
A Europa mantém fortes capacidades industriais em setores como o automóvel, a energia e a saúde, que continuam a impulsionar a liderança tecnológica regional e o emprego industrial. No entanto, a União Europeia fica aquém nos setores digitais e de elevada intensidade tecnológica com maior crescimento, incluindo software, inteligência artificial, TIC avançadas e plataformas industriais de alta tecnologia. Este desequilíbrio estrutural restringe a capacidade europeia de desenvolver líderes tecnológicos competitivos à escala global, atrair investimento privado significativo e explorar plenamente os ecossistemas de inovação transfronteiriços.
O EU Industrial R&D Investment Scoreboard evidencia igualmente uma concentração crescente do investimento em I&D num número relativamente reduzido de empresas globais. Em particular, as grandes empresas tecnológicas norte-americanas dominam a I&D nas áreas das TIC e do digital, captando uma quota sem precedentes do investimento mundial. Embora as empresas europeias permaneçam fortes nos setores automóvel e energético, enfrentam desafios crescentes nas tecnologias da dupla transição, onde convergem o digital e o verde, como a mobilidade limpa, as redes inteligentes e as soluções energéticas baseadas em IA.
A análise alargada do EU Industrial R&D Investment Scoreboard às 800 principais empresas investidoras em I&D mostra que a Alemanha e a França continuam a ser os maiores contribuintes, embora a intensidade da inovação varie significativamente entre os Estados-Membros. Enquanto os países líderes em inovação registaram um crescimento anual sustentado da I&D de 6,8 % ao longo da última década, os países inovadores moderados apresentam taxas muito inferiores (2,5 % ao ano), sendo também menor o surgimento de PME intensivas em I&D. Esta disparidade sublinha a necessidade de melhorar as condições-quadro, alinhar a regulação e garantir acesso ao capital para permitir o crescimento das empresas inovadoras em toda a Europa.
A liderança da União Europeia em patentes verdes é particularmente relevante, nomeadamente nos domínios da circularidade, das indústrias intensivas em energia e dos transportes limpos, refletindo o compromisso estratégico da Europa com a transição verde. Ainda assim, persistem lacunas em tecnologias emergentes onde o verde e o digital convergem, o que evidencia a necessidade de políticas e investimentos direcionados para assegurar a competitividade europeia na dupla transição e na corrida tecnológica global.
As conclusões do EU Industrial R&D Investment Scoreboard estão em forte consonância com as análises estratégicas que moldam a política europeia.
Mario Draghi destaca o crescente fosso de inovação e produtividade entre a Europa e os seus principais concorrentes, defendendo uma mobilização substancial de investimento público e privado, o aprofundamento dos mercados de capitais e enquadramentos regulatórios que apoiem ativamente a inovação e a transformação industrial.
Enrico Letta, por sua vez, aborda a fragmentação persistente dos mercados de capitais, de talento e de inovação. A sua proposta de uma “quinta liberdade”, que permita a livre circulação do conhecimento, do talento e da inovação, visa diretamente os obstáculos que continuam a limitar a intensidade da I&D e o crescimento transfronteiriço.
Em conjunto, estes relatórios reforçam uma mensagem comum: a Europa dispõe de conhecimento e talento, mas carece de escala, velocidade e intensidade de investimento em I&D. Libertar este potencial exige uma maior integração financeira e estrutural, em particular através do Mercado Único e da União dos Mercados de Capitais.
Na Zabala Innovation, o apoio à investigação e inovação europeias tem sido uma missão central desde o primeiro Programa-Quadro da União Europeia (FP1). Ao longo das últimas décadas, acompanhámos a evolução das políticas europeias de I&I, desde os primeiros programas-quadro até ao Horizonte Europa, trabalhando com empresas, organizações de investigação, universidades e autoridades públicas em toda a Europa.
Este envolvimento de longo prazo proporciona um conhecimento aprofundado da evolução do financiamento europeu à inovação, das prioridades políticas e dos instrumentos disponíveis, bem como das estratégias que permitem às organizações posicionarem-se de forma eficaz para maximizar o seu impacto.
À medida que a União Europeia prepara a próxima geração de instrumentos de inovação, incluindo o FP10 e o Fundo Europeu para a Competitividade, a Zabala Innovation já está a apoiar os seus clientes na antecipação de desenvolvimentos políticos, oportunidades de financiamento e estratégias de posicionamento.
Prevê-se que estes novos enquadramentos desempenhem um papel crucial para:
A experiência demonstra que um investimento eficaz em I&D exige mais do que um aumento do financiamento. Depende de:
O EU Industrial R&D Investment Scoreboard 2025 não é apenas um exercício de benchmarking. Os seus dados, combinados com as análises de Draghi e Letta, constituem um apelo estratégico à ação: reforçar o investimento em I&D é fundamental para garantir a prosperidade a longo prazo e a liderança global da Europa.
Apoiar a quinta liberdade, tirar pleno partido do Mercado Único e da União dos Mercados de Capitais e alinhar o investimento público e privado são passos essenciais para escalar a inovação, impulsionar as tecnologias digitais e verdes e reduzir o défice de competitividade europeu.
Na Zabala Innovation, reafirmamos o nosso compromisso de apoiar as organizações na integração no ecossistema europeu de I&I, no acesso a financiamento e na transformação da ambição de inovação em impacto concreto.

Sede de Bruxelas
Diretor de Relações Institucionais em Bruxelas

Opinião
Horizon Europe

Camino Correia
Diretora de Projetos Europeus / Comité Executivo

Opinião
INNOVATION FUND

Rocío Fernández
Líder da Área de conhecimento de Financiamento de projetos da UE

Opinião
PME

Aitor Bilbao
Consultor de Projetos Europeus especializado em EIC Accelerator

Notícias
Horizon Europe
O programa introduz concursos horizontais, menos ‘topics’ e mais apoio ao talento investigador na Europa

Opinião
Horizon Europe

Camino Correia
Diretora de Projetos Europeus / Comité Executivo

Publicação
Relatório Draghi
No presente documento, analisamos as recomendações do Relatório Draghi e as oportunidades para aumentar a competitividade europeia