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Inteligência artificial

O projeto AI-BOOST lança um concurso europeu para impulsionar a IA generativa

Tem uma solução de IA generativa capaz de responder a um desafio real e de conquistar até 100 000 €? CONTACTE-NOS

O essencial

O AI-BOOST, projeto europeu coordenado pela Zabala Innovation, lançou a AI Challenge Competition, um concurso destinado ao desenvolvimento de soluções de inteligência artificial generativa para responder a desafios concretos nas áreas da robótica agrícola, do desenho industrial, dos dados clínicos e da condução autónoma. O concurso oferece financiamento, visibilidade e apoio técnico, com prémios de 28.500 euros para cinco primeiros vencedores, 100.000 euros para o vencedor final e distinções especiais para cada desafio.

Quatro desafios de IA. O concurso procura soluções de IA generativa para agricultura, engenharia industrial, saúde e mobilidade autónoma.
Financiamento por fases. Os participantes podem receber 28.500 euros na primeira fase e disputar um prémio final de 100.000 euros.
Prazos definidos. As candidaturas encerram a 25 de agosto para os dois primeiros desafios e a 8 de setembro para os dois últimos.
Inovação aplicada. O AI-BOOST transforma necessidades tecnológicas concretas em oportunidades para startups, PME, investigadores e outros inovadores.
Impulso europeu. O projeto reforça a competitividade e a soberania tecnológica da Europa no domínio da inteligência artificial generativa.

O projeto europeu AI-BOOST, coordenado pela Zabala Innovation e dedicado à promoção da inovação aberta em inteligência artificial, lançou a AI Challenge Competition, um concurso dirigido a startups, PME, investigadores e outros inovadores interessados em desenvolver soluções de inteligência artificial generativa capazes de responder a desafios tecnológicos específicos.

Os desafios da AI Challenge Competition do AI-BOOST

O novo concurso está estruturado em torno de quatro desafios.

Desafio 1 – Gerador de missões em linguagem natural baseado em IA generativa para robôs agrícolas autónomos

O primeiro desafio, liderado pelo consórcio Intellimech e pelo JOiiNT LAB, pretende desenvolver um gerador de missões em linguagem natural para robôs autónomos aplicados à agricultura. O objetivo passa por democratizar a programação robótica através da inteligência artificial generativa, permitindo converter instruções escritas em linguagem natural em comandos executáveis.

A proposta assenta na utilização de modelos avançados de visão, linguagem e ação para criar uma prova de conceito modular que estabeleça uma ligação entre a intenção humana e a execução robótica. Embora o foco inicial seja o aumento da produtividade nas vinhas, o desafio tem uma ambição mais ampla: promover a automatização inteligente nas operações de campo e na manutenção industrial.

Prazo para apresentação de candidaturas: 25 de agosto.

Desafio 2 – IA baseada em agentes para a geração automática de modelos CAD e simulação autónoma

O segundo desafio, liderado pelo SIAD Group, centra-se na geração automática de modelos CAD e na simulação autónoma através de IA baseada em agentes. O objetivo consiste em acelerar o desenho e a simulação de tubagens industriais, em particular o encaminhamento de tubos de compressores em skids industriais. A solução deverá converter requisitos descritos em linguagem natural e dados CAD existentes em modelos paramétricos editáveis, automatizando tarefas complexas como a extração de restrições geométricas, a geração de malhas e as análises de convergência. Espera-se, assim, reduzir significativamente o trabalho manual de engenharia, obter projetos mais compactos, diminuir os custos e assegurar a conformidade com normas industriais exigentes.

Prazo para apresentação de candidaturas: 25 de agosto.

Desafio 3 – IA generativa para melhorar conjuntos de dados clínicos

O terceiro desafio, liderado pela European Federation for Cancer Images (EUCAIM), centra-se na utilização da inteligência artificial generativa para melhorar a qualidade e a representatividade dos conjuntos de dados de imagiologia clínica, frequentemente incompletos ou desequilibrados. Através da criação de conjuntos sintéticos de doentes com características realistas, a solução pretende colmatar lacunas críticas nos dados e harmonizar a informação obtida em diferentes condições de aquisição de imagem. O sistema deverá identificar as principais características demográficas e clínicas para garantir que os dados sintéticos mantêm o realismo e permanecem coerentes com as estatísticas do mundo real. Em última análise, o projeto pretende promover uma maior equidade e reduzir os enviesamentos, facilitando o desenvolvimento de modelos fiáveis que apoiem a investigação médica e a tomada de decisões clínicas com maior precisão.

Prazo para apresentação de candidaturas: 8 de setembro.

Desafio 4 – IA generativa para a geração automática de casos de teste a partir de bases de dados de acidentes e normas

O quarto desafio, liderado pela Siemens Industry Software NV, em colaboração com o projeto EU RobustifAI, pretende reforçar a segurança e a validação dos sistemas de condução autónoma através da utilização de inteligência artificial generativa para automatizar a criação de cenários de simulação. Ao transformar relatórios de acidentes, dados visuais e normas internacionais de segurança em formatos estruturados e preparados para simulação, a solução substitui processos manuais morosos por um fluxo de trabalho mais escalável e consistente. Esta abordagem reforça a ligação entre os dados do mundo real e os enquadramentos regulamentares, ajudando as equipas a identificar lacunas críticas em matéria de segurança e cenários-limite particularmente complexos. Em última análise, o projeto disponibilizará aos especialistas técnicos e regulamentares conjuntos completos de cenários, melhorando significativamente a eficiência e a acessibilidade das avaliações de segurança aplicadas aos veículos autónomos.

Prazo para apresentação de candidaturas: 8 de setembro.

Os quatro desafios serão apresentados em maior detalhe durante o webinar organizado pela Zabala Innovation no dia 22 de julho, às 11h00.

Características da AI Challenge Competition do AI-BOOST

Fases e financiamento

O concurso decorrerá em duas fases. Na primeira, designada Spark Phase, os participantes trabalharão durante dois meses numa nota conceptual com um nível de maturidade tecnológica (TRL) entre 1 e 2, seguindo-se um mês de avaliação. Desta fase serão selecionados cinco vencedores, que receberão 28.500 euros cada um. A segunda etapa, denominada Advance Phase, será dedicada ao desenvolvimento e validação de algoritmos, com o objetivo de alcançar um TRL entre 4 e 5 ao longo de cinco meses.

Esta fase culminará num evento final de demonstração ao vivo, previsto para fevereiro de 2027, em Bruxelas. Durante o evento, os participantes apresentarão e demonstrarão publicamente as suas soluções perante um painel composto por avaliadores, responsáveis pelos desafios, representantes do consórcio AI-BOOST e outras partes interessadas. A demonstração permitirá evidenciar a funcionalidade, o desempenho e a relevância prática de cada solução relativamente aos objetivos do respetivo desafio. O evento final incluirá igualmente uma sessão pública de pitch e uma votação do público.

O vencedor absoluto receberá 100.000 euros. Além deste prémio, o concurso prevê distinções especiais no valor total de 25.000 euros por desafio, repartidas entre um Prémio de Excelência em Inovação, no valor de 12.500 euros, e um Prémio de IA Responsável, igualmente dotado de 12.500 euros.

Outros benefícios

Para além do financiamento, a AI Challenge Competition oferece visibilidade e acompanhamento técnico assegurados pelos parceiros do projeto e pelas organizações que definiram os desafios. Esta abordagem reflete a estratégia que o AI-BOOST tem vindo a desenvolver desde 2023: transformar necessidades concretas em oportunidades de inovação aberta e aproximar os promotores de soluções das empresas, dos centros de investigação e das infraestruturas europeias.

O que é o AI-BOOST

Lançado em 2023, o AI-BOOST pretende criar um programa de desafios capaz de se afirmar como uma referência para a comunidade europeia da inteligência artificial e de reforçar a competitividade da Europa neste domínio estratégico. O projeto é desenvolvido por um consórcio constituído pela Zabala Innovation, F6S, Cineca, INESC TEC, Univerzita Pavla Jozefa Šafárika v Košiciach, EIT Digital e Universitat Pompeu Fabra.

A inteligência artificial generativa, que na altura ainda era vista como uma tecnologia disruptiva emergente, faz hoje parte da realidade em que operam empresas, administrações públicas e centros de investigação. As suas oportunidades e os seus riscos estão já bem identificados: maior capacidade para gerar conteúdos, analisar informação e apoiar processos de investigação, mas também novos desafios relacionados com a transparência, os enviesamentos, a propriedade intelectual, a cibersegurança e a supervisão humana.

Neste contexto, o AI-BOOST funciona como uma ponte entre as necessidades tecnológicas e a capacidade de inovação do ecossistema europeu. As entidades que lançam os desafios não partem de problemas abstratos, mas de necessidades concretas identificadas em áreas como a indústria, a saúde, a mobilidade, a robótica ou a investigação avançada. A partir daí, o projeto mobiliza candidaturas, disponibiliza apoio técnico e orienta o desenvolvimento das soluções para resultados verificáveis.

Esta abordagem faz com que o concurso vá além da simples atribuição de prémios a ideias inovadoras, acompanhando a sua evolução para protótipos, algoritmos e modelos com potencial de aplicação prática. Ao mesmo tempo, contribui para estruturar um mercado em rápida expansão, no qual muitas organizações procuram casos de utilização concretos, critérios claros de validação e parceiros capazes de transformar a IA generativa em ferramentas úteis.

“O AI-BOOST não aborda este debate do ponto de vista teórico, mas a partir de uma questão muito prática: como mobilizar o ecossistema europeu para desenvolver aplicações e modelos de IA com impacto real”, sublinha Daniel Errea, responsável pela área Digital da Zabala Innovation e coordenador do projeto. “É precisamente por isso que o AI-BOOST procura inovadores capazes de responder aos quatro desafios de elevado impacto através da inteligência artificial generativa”, acrescenta.

A força da supercomputação europeia

Um dos elementos diferenciadores do projeto é a sua ligação à supercomputação europeia. O desenvolvimento de modelos avançados de IA exige uma capacidade de computação muito elevada e o AI-BOOST colocou esta questão no centro de alguns dos seus desafios. No âmbito do Large AI Grand Challenge, lançado em 2023, as startups selecionadas receberam 250.000 euros cada uma e tiveram acesso aos recursos da EuroHPC JU, incluindo os supercomputadores LUMI e Leonardo, para desenvolver modelos de IA de grande escala.

A cerimónia de entrega dos prémios, realizada em Bruxelas com a participação do então comissário europeu Thierry Breton, constituiu um dos momentos mais marcantes do projeto. Para o AI-BOOST, representou o lançamento de um mecanismo europeu destinado a identificar projetos promissores, financiá-los e proporcionar-lhes acesso a infraestruturas de computação de alto desempenho em condições competitivas.

A Europa olha para o futuro da IA

Desde então, o projeto continuou a evoluir. Em 2026, o Frontier AI Grand Challenge voltou a colocar em destaque a capacidade da Europa para desenvolver modelos avançados assentes em infraestruturas próprias. A Comissão Europeia selecionou como vencedor o consórcio Europa, liderado pela empresa italiana Domyn, em conjunto com a Fraunhofer IAIS e a Fraunhofer IIS, com o objetivo de desenvolver um modelo aberto de fronteira capaz de abranger as 24 línguas oficiais da União Europeia.

Para Leyre Ansorena, consultora sénior da Zabala Innovation, “este tipo de avanços demonstra que o AI-BOOST faz parte de um debate mais amplo sobre a soberania tecnológica europeia e reforça a colaboração com a comunidade da inteligência artificial”.

Até 2027, “o desafio passa por consolidar o ecossistema criado e demonstrar que os concursos abertos de IA constituem um instrumento eficaz para acelerar a inovação e transformar a investigação em soluções com impacto real”, destaca Sara López, consultora da área de Empreendedorismo da Zabala Innovation. “O projeto entra agora na sua fase final não como uma montra tecnológica, mas como um instrumento para reforçar a competitividade europeia no domínio da inteligência artificial”, conclui.