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A UE apresenta uma nova estratégia para impulsionar a bioeconomia europeia
O plano integra instrumentos para escalar tecnologias, desenvolver mercados e reforçar o fornecimento sustentável de biomassa
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A Comissão Europeia lança em abril um convite-chave para levar a inovação ‘bio-based’ ao mercado
O essencial
A Circular Bio-based Europe Joint Undertaking (CBE JU) lança, a 23 de abril de 2026, um convite à apresentação de propostas com um orçamento de 170,7 milhões de euros para impulsionar projetos que levem a inovação ‘bio-based’ do desenvolvimento tecnológico até à sua implementação industrial. Estruturado em 13 ‘topics’, o convite reforça a abordagem ‘market-driven’ da bioeconomia circular europeia e aposta na colaboração ao longo de toda a cadeia de valor, com especial enfoque na demonstração, replicação e adoção industrial.
A Comissão Europeia definiu o calendário e o orçamento de uma das suas principais apostas para impulsionar a bioeconomia circular em 2026. O novo programa anual da Circular Bio-based Europe Joint Undertaking (CBE JU) mobilizará 170,7 milhões de euros num convite que abre a 23 de abril e encerra a 22 de setembro, com o objetivo de financiar projetos capazes de ligar investigação, indústria e mercado em torno de produtos e processos de base biológica. Estruturado em 13 topics, este convite consolida o papel desta parceria público-privada como um dos instrumentos centrais da política industrial europeia associada à transição ecológica.
Segundo Damián Muruzábal, responsável pela área de Alimentação e Bioeconomia da Zabala Innovation, «a participação no convite CBE JU 2026 oferece às organizações uma oportunidade estratégica para se posicionarem na vanguarda da bioeconomia circular europeia». O especialista sublinha que «o programa permite o acesso a financiamentos de grande dimensão, incluindo projetos emblemáticos orientados para primeiras implantações à escala industrial, e proporciona elevada visibilidade num ecossistema europeu bio-based já consolidado».
A CBE JU 2026 favorece ainda a colaboração ao longo de toda a cadeia de valor, «ao reunir indústria, PME, organizações de investigação e outros atores-chave, e ao disponibilizar percursos claros para o mercado, com um forte enfoque na demonstração, replicação e adoção industrial das soluções financiadas», acrescenta Muruzábal.
O programa de trabalho para 2026 mantém uma estrutura já conhecida, mas reforça o enfoque na chegada efetiva ao mercado. O convite organiza-se em diferentes tipos de ações de acordo com o grau de maturidade tecnológica (technology readiness level, TRL) dos projetos, com o objetivo de abranger todo o percurso desde a investigação aplicada até à implementação em condições reais. Esta abordagem procura reduzir a distância entre o desenvolvimento tecnológico e a sua adoção industrial, uma das dificuldades recorrentes no domínio da bioeconomia.
No nível mais próximo do mercado situam-se as ações de inovação do tipo flagship (IA-Flagship), dirigidas a projetos prontos para implementação industrial (TRL 8). Esta categoria inclui quatro topics, cada um com uma dotação de 20 milhões de euros e a previsão de financiar um único projeto. Um deles centra-se no reforço da competitividade das biorrefinarias através da biotecnologia. Dois topics enquadram-se na abordagem Safe and Sustainable by Design e abordam o desenvolvimento de alternativas bio-based para produtos fertilizantes e de proteção das culturas, bem como soluções de base biológica para produtos de limpeza doméstica e cuidados pessoais. O quarto topic orienta-se para a diversificação das fontes de ingredientes nutricionais alimentares, com o objetivo de reforçar a resiliência e a autonomia estratégica da UE.
As ações de inovação (IA) orientadas para a demonstração em ambientes industriais (TRL 6–7) ocupam o patamar intermédio. Nesta categoria, a CBE JU financiará cinco topics com 14 milhões de euros cada, prevendo-se o apoio a dois projetos por topic. Estes abrangem vias biotecnológicas para a valorização de biomassa residual, aditivos bio-based para melhorar a reciclabilidade ou biodegradabilidade dos materiais e o desenvolvimento de produtos químicos e materiais a partir de resíduos lenhosos. Completam ainda, este bloco dois topics sobre materiais avançados, como os termoendurecíveis bio-based de elevado desempenho e os filmes e revestimentos para embalagens circulares.
No âmbito das ações de investigação e inovação (RIA), o convite aborda desenvolvimentos ainda afastados do mercado, mas essenciais para resolver estrangulamentos tecnológicos (TRL 4–5). Serão financiados três topics, cada um com uma dotação de 6,5 milhões de euros (prevendo-se o financiamento de dois projetos por topic), centrados nos desafios da separação e purificação em biorrefinarias, no desenvolvimento de polímeros bio-based a partir de fontes alternativas e na investigação em fibras têxteis bio-based sustentáveis. Estes projetos visam criar a base tecnológica necessária para futuras aplicações industriais.
A CBE JU 2026 completa-se com uma ação de coordenação e apoio (CSA), dotada de 1,2 milhões de euros para o financiamento de um único projeto, orientado para facilitar a transição da indústria para produtos e processos bio-based sustentáveis e circulares.
A Zabala Innovation conta com um historial relevante neste programa e, na edição anterior da CBE JU, conseguiu uma taxa de sucesso de 45%, muito acima da média. A consultora confirmou a sua presença nos principais eventos associados ao convite de 2026:

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Gabriele Gaffuri
Consultor sénior especializado em projetos de Economia Circular

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