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EIC Pathfinder Challenges 2026 atribui maior peso ao impacto na avaliação

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O essencial

O EIC Pathfinder Challenges 2026 mobilizará 96 milhões de euros para financiar tecnologias disruptivas em fases iniciais, com subvenções até 4 milhões de euros por projeto e prazo até 28 de outubro de 2026. O aviso concentra prioridades em três desafios e introduz alterações na avaliação: o impacto ganha peso face à excelência científica. Além disso, a seleção final terá em conta o enquadramento de cada proposta numa carteira equilibrada de projetos.

Três desafios. O aviso centra-se na captação de energia com materiais avançados, na biotecnologia para um envelhecimento saudável e na inteligência artificial cognitiva e fiável (DeepRAP).
Maior peso do impacto. O impacto passa de 20% para 30% da pontuação, enquanto a excelência científica desce de 60% para 50%.
Até 4 milhões de euros. Cada projeto pode receber até 4 milhões de euros, com financiamento de 100% dos custos elegíveis através de ‘lump sum’.
Enquadramento na carteira. O EIC selecionará uma combinação equilibrada de projetos e terá em conta a diversidade de abordagens, tecnologias, aplicações e sinergias.
Elevada concorrência. Em 2025, foram selecionados 30 projetos entre 647 propostas elegíveis, o que correspondeu a uma taxa de sucesso de aproximadamente 4,6%.

A edição de 2026 do EIC Pathfinder Challenges chega com uma concentração das prioridades em três desafios e uma alteração relevante na avaliação: o impacto ganha peso face à excelência científica. Este instrumento do Conselho Europeu de Inovação, destinado a financiar tecnologias disruptivas em fases iniciais e com um elevado nível de risco, mobiliza 96 milhões de euros para projetos capazes de avançar da investigação de fronteira até uma prova de conceito, geralmente em níveis de maturidade tecnológica (TRL) 3 ou 4.

O aviso permanece aberto até 28 de outubro de 2026 e financiará ações de investigação e inovação com subvenções até 4 milhões de euros por projeto, embora este limiar possa ser ultrapassado quando exista uma justificação excecional. O apoio pode cobrir 100% dos custos elegíveis e será concedido através do sistema de lump sum, que exige uma definição precisa das atividades, dos recursos e dos resultados previstos.

Os três desafios do EIC Pathfinder Challenges 2026

Face aos quatro desafios de 2025, o programa de 2026 estrutura-se em torno de três áreas: materiais avançados para sistemas miniaturizados de captação de energia, biotecnologia para um envelhecimento saudável e inteligência artificial cognitiva e fiável (DeepRAP). Embora o orçamento global seja 20% inferior ao do ano passado, a dotação indicativa média por desafio aumenta ligeiramente, passando de cerca de 30 para aproximadamente 32 milhões de euros.

Cada desafio inclui condições técnicas específicas. O dedicado à captação de energia exige a integração de materiais avançados em módulos miniaturizados e a demonstração de sistemas autónomos num ambiente representativo. O desafio dedicado ao envelhecimento saudável divide-se em intervenções preventivas ou terapêuticas, ferramentas multimodais baseadas em biomarcadores e novas metodologias pré-clínicas. O DeepRAP, por sua vez, procura avanços fundamentais no raciocínio, abstração e planeamento de sistemas de inteligência artificial, juntamente com garantias de explicabilidade, segurança e fiabilidade.

O impacto ganha peso na avaliação

Uma das alterações com maior incidência nas candidaturas diz respeito aos critérios de avaliação. A excelência passa de 60% da pontuação em 2025 para 50% em 2026, enquanto o impacto aumenta de 20% para 30%. A qualidade e a eficiência da execução mantêm-se nos 20%. Este ajustamento obriga a reforçar desde o início a futura exploração dos resultados, a propriedade intelectual, o acesso ao mercado, a regulamentação, o fabrico ou a possível continuidade através do EIC Transition ou do EIC Accelerator.

“Em 2026 continuará a ser imprescindível apresentar uma base científica diferenciadora, mas já não será suficiente demonstrar que a tecnologia é disruptiva”, destaca Francesc Fabrega, consultor de projetos europeus da Zabala Innovation e especialista em EIC Pathfinder Challenges. “As propostas terão de explicar com muito mais clareza que problema pretendem transformar, quem poderá adotar a solução e que percurso existe para converter a prova de conceito numa oportunidade tecnológica e económica”, acrescenta.

O enquadramento na carteira será decisivo

O aviso admite propostas individuais e consórcios. Podem candidatar-se como beneficiários únicos universidades, organismos de investigação, start-ups, PME e outras entidades jurídicas estabelecidas num Estado-Membro da União Europeia ou num país associado ao Horizon Europe. As empresas de média capitalização e as grandes empresas não podem candidatar-se individualmente. Os consórcios de dois participantes devem reunir entidades independentes de dois países diferentes; os de três ou mais parceiros devem incluir pelo menos três organizações independentes de três países diferentes, com a presença mínima de uma entidade de um Estado-Membro.

Os projetos selecionados não serão decididos apenas pela ordem da pontuação. Após a avaliação individual, o EIC constituirá uma carteira equilibrada em cada desafio, tendo em conta a diversidade de abordagens científicas, tecnologias, aplicações e possíveis sinergias. Esta lógica pode beneficiar uma proposta que cubra uma categoria pouco representada, mas também deixar de fora projetos bem pontuados se duplicarem soluções já presentes. Por isso, “as candidaturas deverão justificar tanto a sua qualidade como a posição específica que pretendem ocupar no conjunto financiado”, sublinha Fabrega.

Como reforçar uma candidatura competitiva

“A concorrência será elevada”, prevê o especialista ao analisar os dados do ano passado. Na edição de 2025, foram selecionados 30 projetos entre 647 propostas elegíveis, o que corresponde a uma taxa de sucesso aproximada de 4,6%. «Este nível de exigência torna a coerência entre objetivos, metodologia, consórcio, orçamento e impacto num fator decisivo, sobretudo quando as propostas dispõem de um máximo de 30 páginas para desenvolver as suas principais secções técnicas», alerta Fabrega.

«Uma revisão externa permite detetar incoerências, lacunas face às orientações do desafio ou fragilidades na argumentação antes da submissão. A Zabala Innovation disponibiliza um serviço especializado de revisão de propostas para ajudar os participantes a reforçar o seu enquadramento, clareza e competitividade na avaliação», afirma Fabrega. Em qualquer caso, a preparação deverá partir de uma leitura detalhada do guia específico de cada desafio e de uma definição mensurável do progresso tecnológico, dos riscos e dos resultados esperados.