
Opinião
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
O potencial da IA generativa no panorama farmacêutico europeu

Luz Esparza
Gestora de referência na área de Inovação e Transformação Digital
A IA de borda é a grande aposta da União Europeia para recuperar terreno na corrida global aos semicondutores
O essencial
A IA de borda (‘edge AI’) está a deslocar a inteligência artificial da cloud para os dispositivos que usamos no dia-a-dia, permitindo um processamento local, rápido e seguro dos dados. Esta abordagem reduz de forma significativa o consumo energético, reforça a proteção da privacidade e está totalmente alinhada com as ambições regulatórias e climáticas da União Europeia. Graças à sua forte experiência em sistemas embebidos e ao impulso da Chips JU, a Europa tem uma oportunidade real de transformar a sua excelência científica em capacidade industrial.

Consultor em Projetos Europeus e especialista em Chips JU
Durante anos, o crescimento da inteligência artificial (IA) dependeu da cloud, uma infraestrutura centralizada capaz de analisar enormes volumes de dados. Mas essa fase está a mudar. A IA começa a integrar-se nos objetos que tocamos e utilizamos diariamente, como automóveis, máquinas, sensores e dispositivos médicos. Em suma, em todos os equipamentos que constituem o nosso mundo conectado. Esta transformação discreta, conhecida como IA de borda o IA na periferia (edge AI), está a alterar a forma como tratamos dados, concebemos chips e desenvolvemos tecnologia sustentável.
A IA na periferia permite processar os dados onde são produzidos, e não num servidor remoto. Um carro pode reconhecer um peão em milissegundos. Um robô industrial pode detetar uma falha antes de esta se tornar um problema. Um dispositivo médico pode monitorizar sinais vitais sem enviar informação privada para lado nenhum. É mais inteligente, mais rápida e mais segura. E, além disso, reduz o enorme consumo energético associado ao fluxo constante de dados para a cloud.
O processamento local através da IA de borda enquadra-se perfeitamente no Regulamento Europeu da Inteligência Artificial (AI Act) e no Data Act, que definem padrões para uma utilização ética dos dados e da IA. Esta abordagem também apoia os objetivos do Pacto Ecológico Europeu, uma vez que a computação descentralizada consome menos energia e permite que os sistemas otimizem a sua própria eficiência.
A Europa tem uma oportunidade única para liderar esta transformação. Ao contrário de outras regiões mais dependentes dos gigantes da cloud, a força europeia sempre residiu nos sistemas embebidos. O continente conta com uma base industrial sólida, um ecossistema eletrónico bem estabelecido e, cada vez mais, a convicção de que a transformação digital só faz sentido se for sustentável e ética.
É precisamente esta a visão da Chips Joint Undertaking (Chips JU), a parceria europeia criada para reforçar a cadeia de valor dos semicondutores, desde a investigação até à produção. A sua missão é simples, mas ambiciosa: garantir que a Europa consegue conceber e fabricar os seus próprios chips, reduzindo ao máximo a dependência externa.
O mais interessante na abordagem europeia não é apenas a tecnologia, mas também a filosofia que a acompanha. Numa altura em que a privacidade dos dados, a segurança e o impacto ambiental suscitam preocupações crescentes, a Europa pretende promover um modelo de inovação diferente, centrado nas pessoas, responsável em termos ambientais e plenamente confiável. Em resumo, não se trata apenas de acrescentar inteligência, mas de gerar verdadeiro valor.
Transformar esta visão em realidade não será fácil. Conceber e fabricar chips otimizados para IA é complexo, dispendioso e altamente competitivo. A Europa terá de reduzir a distância entre a sua excelente capacidade de investigação e a produção em grande escala, um desafio muitas vezes designado por “do laboratório à fábrica” (from lab to fab).
É aqui que a Chips JU faz realmente a diferença. Por meio de plataformas de conceção abertas, centros de competências e linhas piloto, está a oferecer aos inovadores europeus, sobretudo pequenas e médias empresas e start-ups, acesso às ferramentas e infraestruturas necessárias para testar, prototipar e escalar novas soluções. Este modelo colaborativo está a transformar o talento científico europeu em verdadeira capacidade industrial.
E a dinâmica continua. Esta quarta-feira serão abertas novas oportunidades da Chips JU que visam reforçar o ecossistema europeu dos semicondutores, aproximar a investigação da indústria, impulsionar a produção e a integração avançadas e apoiar as PME e start-ups que pretendem levar as suas ideias ao nível seguinte. Em conjunto, estas iniciativas procuram acelerar o salto europeu do laboratório para a fábrica e permitir que a inteligência desenvolvida nos nossos centros de investigação ganhe vida em aplicações reais, precisamente na periferia, onde gera maior impacto.
Se olharmos para o futuro, é fácil imaginar como o nosso ambiente poderá mudar. As fábricas aprenderão a otimizar a produção em tempo real. As redes energéticas equilibrarão as renováveis de forma autónoma. Os automóveis comunicarão entre si para tornar as estradas mais seguras. E os dispositivos médicos protegerão simultaneamente a nossa saúde e a nossa privacidade.
Este é o mundo que a IA na periferia está a tornar possível. E este é o futuro que a Europa, através de iniciativas como a Chips JU, está decidida a construir. Aproximar a inteligência do terreno não é apenas uma questão tecnológica. É uma questão de soberania, de sustentabilidade e de pessoas. É garantir que o mundo digital que construímos reflete os valores em que acreditamos.
Na Zabala Innovation, ajudamos-te a navegar neste novo cenário, desde compreender as prioridades da Chips JU até desenvolver propostas sólidas e competitivas. Se estás a pensar participar nos concursos da Chips JU de 2026, este é o momento certo para começar a definir o teu consórcio e as tuas ideias.

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