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Baterias
O armazenamento de energia, chave para a transição ecológica da Europa
A UE acelera o desenvolvimento de baterias sustentáveis para reduzir a sua dependência de matérias-primas críticas e melhorar a estabilidade do sistema elétrico
Transição energética
A UE impulsiona inovação no armazenamento elétrico face à pressão para reduzir a dependência externa

A União Europeia tem vindo a intensificar a sua estratégia para consolidar uma indústria própria de baterias, consciente de que este componente se tornou já um pilar estratégico na transição energética. Num contexto de crescente concorrência global e urgência climática, Bruxelas reforçou o apoio à inovação tecnológica e à produção industrial de baterias, com o objetivo de reduzir a dependência de países terceiros e garantir a estabilidade do sistema energético europeu.
O sector das baterias é um motor-chave de inovação e sustentabilidade. Ao reduzir a dependência de matérias-primas críticas através de cadeias de abastecimento locais e circulares, e ao ampliar a capacidade de processamento, a Europa caminha para uma produção mais autónoma e resiliente. Esta transformação impulsiona um ecossistema integrado que abrange desde o design até à fabricação e ao fim de vida das baterias. Além disso, o alargamento das soluções de armazenamento energético reforça a integração das energias renováveis e assegura um fornecimento mais estável.
O Regulamento para uma Indústria de Emissões Zero Líquidas reconhece as baterias como uma das 19 tecnologias estratégicas para a UE. Assim, os projetos declarados estratégicos beneficiam de procedimentos acelerados e prioridade administrativa. A Regulamento das Matérias-Primas Críticas introduz, por sua vez, medidas para reforçar as cadeias de abastecimento de matérias-primas dentro da UE, fortalecendo a competitividade do sector europeu das baterias.
A UE tem também apoiado o sector através do financiamento de projetos de I&D e inovação. Um exemplo disso é o programa Horizon Europe, que entre 2021 e 2024 destinou 518 milhões de euros a 79 projetos ligados às baterias, através de 34 concursos que cobrem toda a cadeia de valor: desde matérias-primas e materiais avançados até células, módulos, integração em aplicações e gestão de fim de vida.
Em dezembro do ano passado, a Comissão Europeia lançou um concurso no valor de mil milhões de euros para projetos de fabrico de células de baterias para veículos elétricos. Além disso, em conjunto com o Banco Europeu de Investimento (BEI), anunciou um reforço de 200 milhões de euros em garantias de empréstimos no âmbito do programa InvestEU. Como parte desta aliança, o BEI prevê investir 1,8 mil milhões de euros na cadeia de valor das baterias.
Apesar deste impulso, o sector europeu das baterias continua a enfrentar obstáculos significativos: alguma dependência de países terceiros no que toca a matérias-primas, falta de harmonização regulatória, custos energéticos e laborais elevados, escassez de mão de obra especializada e uma grande incerteza empresarial, o que dificulta a entrada de novas tecnologias no mercado.
Superar estes desafios é essencial para aproveitar as oportunidades do sector. “A Europa avançou muito nos últimos anos, mas continua sem controlar os elos-chave da cadeia de valor”, sublinha Carolina Simón, consultora de projetos europeus na Zabala Innovation e especialista em energia.
Neste contexto, o Cluster 5 do Horizon Europe lançou, para 2025, vários concursos centrados no desenvolvimento de tecnologias avançadas de armazenamento de energia. Sob a alçada da parceria Batt4EU, serão financiados projetos que vão desde o processamento sustentável de matérias-primas até ao design de baterias de longa duração para armazenamento estacionário.
Os projetos devem focar-se no desenvolvimento de baterias de nova geração, de baixo custo, para aumentar a competitividade da cadeia de valor europeia e reduzir o uso de matérias-primas críticas. Além disso, serão promovidas iniciativas que melhorem a adaptação e flexibilidade dos processos de produção de baterias. Também serão apoiados projetos que demonstrem a produção rentável, segura e sustentável de metais e precursores para baterias, bem como de materiais ativos para elétrodos.
Serão ainda fomentados projetos de otimização de processos críticos nas linhas de produção existentes, adaptação do design das células para maximizar os benefícios dos processos melhorados e soluções que permitam avaliar o envelhecimento, a fiabilidade e a segurança das baterias.
O prazo para apresentação de propostas de três destes concursos termina a 2 de setembro. Outros três encerram a 20 de janeiro. “Todos estes concursos permitem enfrentar os desafios de forma sistémica, integrando inovação tecnológica, sustentabilidade e competitividade industrial”, explica Simón.
Por outro lado, o concurso HORIZON-CL5-2025-04-D5-11, no âmbito da parceria Zero Emission Waterborne Transport, tem como objetivo promover o transporte marítimo sem emissões, através da integração de sistemas inovadores e seguros de armazenamento de energia em embarcações. Neste caso, o prazo de submissão termina a 4 de setembro.
O subprograma de Economia circular e qualidade de vida do programa LIFE 2025 apoia iniciativas que promovam a transição para uma economia mais sustentável e eficiente no uso de recursos. Neste quadro, podem ser apresentados projetos dedicados à melhoria da recolha seletiva e reciclagem de baterias, desde que contribuam para os objetivos gerais do subprograma. O prazo para apresentação de propostas termina a 23 de setembro de 2025.
A dimensão industrial continua a ser um eixo central da estratégia europeia. O concurso Battery do Innovation Fund, lançado em dezembro de 2024 com um orçamento de mil milhões de euros, visava reforçar a capacidade de fabrico de células de baterias para veículos elétricos na Europa. Apesar desta linha ter encerrado em abril de 2025, espera-se uma nova edição em dezembro.
Os projetos selecionados devem demonstrar um elevado grau de inovação, viabilidade económica e uma redução significativa das emissões de gases com efeito de estufa. “Este tipo de instrumento é fundamental para reforçar a indústria europeia das baterias e acelerar a transição energética”, afirma Simón.
O novo Regulamento Europeu sobre Baterias, aprovado em junho de 2023, estabelece metas de recolha de 73% para baterias portáteis até 2030 e objetivos mínimos de valorização de 80% para o lítio até 2031. Também impõe requisitos de design que facilitem a desmontagem e reutilização, bem como a introdução de um passaporte digital para baterias industriais e de veículos elétricos.
Apesar dos avanços, o sector europeu das baterias continua atrás de concorrentes como a China, que domina a cadeia global de fornecimento. “A Europa precisa acelerar a implementação das suas políticas se quiser evitar uma nova dependência tecnológica”, alerta Simón. A especialista sublinha a importância de combinar financiamento público, colaboração industrial e regulamentação inteligente para consolidar uma cadeia de valor autónoma.
Neste contexto, a investigação, desenvolvimento e inovação assumem um papel decisivo. “A inovação não é apenas uma questão tecnológica, mas também de modelo de negócio, de integração no sistema energético e de aceitação social”, conclui Simón.

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Opinião
ENERGIA

Carolina Simón
Consultora em Projetos Europeus, especialista em Energia

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