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FUNDO DE MODERNIZAÇÃO
O Fundo de Modernização acelera a modernização energética na Europa
A consolidação do pipeline e a maturidade técnica dos projectos estão a impulsionar novos investimentos e a reforçar o impacto na transição climática
FUNDO DE MODERNIZAÇÃO
A análise das decisões confirma a aposta em grandes programas nacionais de renováveis, redes e aquecimento urbano e indica lições claras para quem pretende candidatar-se

FUNDO DE MODERNIZAÇÃODesde 2021, o Fundo de Modernização tornou-se um dos principais motores da transição energética nos Estados-Membros com rendimentos mais baixos da União Europeia, apoiando investimentos em renováveis, redes, eficiência energética e aquecimento limpo. Só até julho de 2025, o fundo já tinha desembolsado cerca de 19,1 mil milhões de euros para projetos em 13 países, incluindo Portugal, consolidando um padrão claro: grandes programas nacionais (“schemes”) que multiplicam o impacto junto de milhares de beneficiários finais.
O Fundo de Modernização foi concebido para apoiar 13 Estados-Membros com rendimentos mais baixos na modernização dos seus sistemas energéticos e na melhoria da eficiência energética, no período 2021-2030. Financiado pelas receitas do Sistema de Comércio de Licenças de Emissão (EU ETS), o fundo concentra-se em investimentos em energias renováveis, redes e armazenamento, aquecimento e arrefecimento limpos, eficiência energética e transição justa.
Depois de um arranque mais modesto em 2021, com montantes iniciais centrados sobretudo em redes elétricas e primeiros programas residenciais e industriais, o fundo acelerou em 2022 e 2023, e consolidou-se em 2024 e na primeira ronda de 2025. Em paralelo, a Comissão Europeia e o Banco Europeu de Investimento anunciaram em julho de 2025 a maior decisão de sempre: 3,66 mil milhões de euros para trinta e quatro projetos em nove Estados-Membros, elevando o total desembolsado desde 2021 para 19,1 mil milhões de euros.
A radiografia das decisões entre 2021 e o primeiro semestre de 2025 mostra um padrão muito nítido: a maioria das aprovações assume a forma de schemes nacionais ou sectoriais, que funcionam como “envelopes” de financiamento administrados pelos Estados-Membros.
Estes esquemas são, na prática, programas que alimentam múltiplas candidaturas a jusante — desde edifícios residenciais e municipais até projetos industriais. Em muitas decisões, encontramos:
Para quem quer preparar um projeto, a mensagem é clara:
Do ponto de vista regulamentar, o Fundo de Modernização distingue entre projetos Priority e Non-Priority. As aprovações analisadas mostram que:
Esta distinção é crucial para o calendário: as próximas datas-limite para apresentação de propostas ao nível dos Estados-Membros são 12 de agosto de 2025 para investimentos Non-Priority e 9 de setembro de 2025 para Priority.
Ao olhar para a evolução anual, emergem vários marcos:
O resultado é um “ticket” bimodal:
As decisões do fundo entre 2021 e 2025 organizam-se em torno de cinco grandes famílias tecnológicas:
Aqui, o calor urbano e as redes emergem como verdadeiros “campos maiores” do fundo: absorvem parcelas muito significativas dos envelopes nacionais e funcionam como alavancas para integrar renováveis, mobilidade elétrica e novos consumos (bombas de calor, eletrificação industrial).
A estatística das decisões permite identificar alguns líderes claros:
Para empresas, municípios e entidades públicas que olham para o Fundo de Modernização — incluindo em Portugal — a experiência dos últimos anos deixa um conjunto de “insights” muito úteis:
Pedro Ferreira, diretor do escritório de Bruxelas da Zabala Innovation, resume assim o momento do fundo: “Os números do Fundo de Modernização mostram que quem tiver capacidade para estruturar esquemas sólidos, focados em redes, calor urbano e eficiência, terá vantagens claras na próxima vaga de decisões. Em paralelo, é fundamental que os promotores portugueses se posicionem desde já nos envelopes nacionais e usem o fundo de forma estratégica, em articulação com o Portugal 2030, o PRR e outros instrumentos europeus”.
A partir de Bruxelas, a Zabala Innovation acompanha de perto a evolução do Fundo de Modernização e apoia clientes em vários Estados-Membros no desenho de esquemas, no alinhamento com o EU ETS e na preparação da documentação necessária, desde a fase conceptual até à submissão dos investimentos.

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Opinião
Innovation Fund

Juan Sanciñena
Consultor sénior em Projetos Europeus

Publicação
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