
Notícias
Indústria
Uma alternativa complementar ao Innovation Fund para financiar pilotos industriais
Elevado nível de maturidade tecnológica, foco no mercado e sólida viabilidade financeira: assim é o novo concurso do Clean Industrial Deal
Indústria
Um autodiagnóstico prático face ao aviso, cujo orçamento ascende a 275 milhões de euros
O essencial
O Clean Industrial Deal abriu, no âmbito do Horizon Europe, uma nova linha de financiamento dirigida a pilotos industriais de descarbonização próximos do mercado, com 275 milhões de euros destinados a projetos de indústrias intensivas em energia e tecnologias limpas. O aviso, que encerra a 15 de setembro de 2026, eleva o nível de exigência técnica, industrial e financeira das propostas, aproximando os seus critérios dos do programa Innovation Fund.
O Clean Industrial Deal introduziu no Horizon Europe uma nova linha de financiamento orientada não para ideias iniciais de descarbonização, mas para projetos-piloto industriais próximos da implementação. No âmbito deste aviso, a Comissão Europeia lançou duas innovation actions: uma, dotada de 125 milhões de euros, para a descarbonização de indústrias intensivas em energia, e outra, com 150 milhões de euros, para tecnologias limpas ligadas à ação climática. Ambas decorrem numa única fase e o prazo para apresentação de propostas termina a 15 de setembro de 2026. A contribuição indicativa por projeto situa-se entre 15 e 25 milhões de euros.
“A questão-chave não é se a tecnologia é promissora, mas sim se o piloto se enquadra realmente nesta nova abordagem de financiamento, cujos critérios se aproximam dos do programa Innovation Fund”, alerta Daniel Magni, coordenador de operações em projetos europeus da Zabala Innovation. Na sua opinião, para perceber se o piloto se enquadra no aviso do Clean Industrial Deal, vale a pena colocar estas dez questões.
Se o seu piloto atua sobre uma instalação ou processo intensivo em energia, o topic dedicado às indústrias intensivas cobre três grandes áreas: CCU/CCUS, utilização de energia limpa na produção – eletrificação, hidrogénio, armazenamento e calor residual – e circularidade e eficiência de recursos. Por outro lado, se a sua proposta reforça uma cadeia de valor cleantech, o topic de tecnologias limpas centra-se em sistemas energéticos integrados net-zero, tecnologias de produção e armazenamento de emissões zero, combustíveis renováveis e CCU. Em ambos os casos, é necessário escolher uma área principal; além disso, no topic cleantech, a Comissão Europeia pretende um portefólio equilibrado entre estas três áreas.
Este aviso não se destina a baixos níveis de maturidade tecnológica (TRL). Ambos os topics partem de TRL 6. O topic das indústrias intensivas espera atingir TRL 7-8 no final do projeto; o de clean tech, TRL 8. Se ainda está numa fase de validação em ambiente laboratorial, sem integração real nem conceção de demonstrador, então ainda é demasiado cedo para este aviso.
A lógica do aviso é industrial. Nas indústrias intensivas, são pedidos demonstradores operacionais first-of-a-kind ou a otimização de soluções de descarbonização recentemente instaladas. Em clean tech, procura-se levar a solução à plena maturidade tecnológica e à proximidade do mercado. Se o seu projeto não prevê demonstração real, integração no processo ou uma trajetória clara para a implementação industrial, então não existe enquadramento.
Este é o filtro mais exigente. A proposta deve prever um go/no go claro antes da fase de demonstração. Para chegar a esse ponto, o projeto deve ser capaz de apresentar engenharia de detalhe, avaliação tecnoeconómica, licenças do demonstrador, business plan completo, estratégia de market readiness e identificação do parceiro industrial que liderará a implementação. Na prática, este marco está associado ao nível de maturidade anterior à decisão final de investimento (FID) de um projeto industrial.
O aviso do Clean Industrial Deal não exige que as licenças estejam concluídas no momento da candidatura, mas exige uma via credível para as obter. A estratégia de market readiness deve identificar barreiras regulatórias, condições de licenciamento, normas, capacidades, integradores industriais, propriedade intelectual e aceitação de mercado. Se as licenças ambientais, energéticas, urbanísticas ou de CO2 continuam pouco claras, o projeto ainda não está suficientemente maduro.
Bruxelas insiste em que o consórcio seja industry driven. Nas indústrias intensivas, o consórcio deve ser preferencialmente pequeno e gerível; em clean tech, gerível e, indicativamente, não superior a dez participantes, com dimensão justificada pelo segmento da cadeia de valor abrangido. Não basta ter um bom fornecedor tecnológico: deve ficar claro qual o ator industrial que levará a solução ao mercado ou à instalação após o projeto.
Salvo exceção prevista no topic, o Horizon Europe exige pelo menos três entidades jurídicas independentes de três países diferentes: uma de um Estado-Membro e duas adicionais de Estados-Membros ou países associados. No topic cleantech, além disso, a proposta deve reunir uma combinação adequada de fornecedores, utilizadores de energia e outros atores da cadeia de valor. E há um detalhe que não deve ser ignorado: tratando-se de innovation actions, as entidades estabelecidas na China não são elegíveis para participar.
O business plan deve concretizar o mercado-alvo, a dimensão do mercado na UE e a nível global, a concorrência, as projeções financeiras, as necessidades dos clientes e a vantagem competitiva. E a estratégia de market readiness deve incluir uma análise completa de riscos e explicar como será assegurado o investimento da fase seguinte. No topic das indústrias intensivas, além disso, a solução deve manter uma ACV positiva e continuar comercialmente viável no quadro regulatório esperado no final do projeto.
O montante do apoio é elevado, mas também o é o compromisso financeiro e operacional. A empresa deve ser capaz de assegurar a sua parte de cofinanciamento, justificar custos, mobilizar recursos internos e explicar como financiará a fase posterior ao projeto.
O aviso não procura apenas tecnologias que descarbonizem, mas projetos que alimentem uma cadeia europeia de implementação. O texto oficial estabelece entre os impactos esperados o apoio à competitividade da próxima geração de clean tech e da indústria descarbonizada na UE, o aumento da capacidade de fabrico na Europa e o reforço de cadeias de valor resilientes para reduzir dependências. Por isso, a proposta deve explicar o que será fabricado, integrado ou escalado na Europa, que fornecedores ou capacidades ativa e que dependências reduz.
Se respondeu afirmativamente a todas as questões anteriores, tem uma base sólida para competir no aviso do Clean Industrial Deal. Pelo contrário, se falha num ou vários destes pontos, talvez o seu piloto seja bom, mas ainda não esteja preparado para se candidatar. Nesse caso, convém rever o enquadramento antes de avançar.

Notícias
Indústria
Elevado nível de maturidade tecnológica, foco no mercado e sólida viabilidade financeira: assim é o novo concurso do Clean Industrial Deal

Opinião
Indústria

Daniel Magni
Coordenador de Operações em Projetos Europeus

Publicação
CISAF
Descubra as estratégias e os auxílios estatais para a transição energética no nosso Guia CISAF
Somos peritos em programas de financiamento europeus, que oferecem a oportunidade de financiar o desenvolvimento e o acesso ao mercado dos projetos inovadores da sua empresa.
Zabala Innovation assiste actores privados e públicos na sua procura e aquisição de financiamento público e desenvolveu uma metodologia para acompanhar e apoiar os coordenadores de projetos nacionais e europeus.
Prestamos consultoria a atividades que incentivam a inovação, destinadas a promover o desenvolvimento de novos mercados inovadores do lado da procura, através da contratação pública.