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Finanças europeias
A Comissão Europeia impulsiona a União da Poupança e dos Investimentos
Bruxelas apresenta uma estratégia para canalizar a poupança para investimentos produtivos e facilitar o financiamento das empresas
Comissão Europeia
Bruxelas impulsiona novas iniciativas nos primeiros quatro meses do segundo mandato de Ursula von der Leyen

No início do segundo mandato de Ursula von der Leyen à frente da Comissão Europeia, o Executivo comunitário lançou uma série de iniciativas destinadas a reforçar a competitividade, a sustentabilidade e a autonomia estratégica dos 27. Entre as medidas mais relevantes destacam-se o lançamento do Programa de Trabalho da Comissão para 2025, a apresentação do European Competitiveness Compass e do Livro Branco sobre Defesa, bem como a promoção de acordos industriais e planos sectoriais estratégicos.
“Acompanhamos de perto estas e outras comunicações da Comissão Europeia para compreender como serão integradas nos programas de financiamento de I&D&I e que impacto terão nos fundos”, destaca Camino Correia, diretora da área de Projetos Europeus e membro do Comité Executivo da Zabala Innovation. A seguir, apresentam-se as prioridades assinaladas pela Comissão Europeia, indicando, sempre que possível, os programas de financiamento de projetos de I&D&I onde estas se refletirão.
A 12 de fevereiro de 2025, a Comissão Europeia apresentou o seu Programa de Trabalho para 2025 sob o lema “uma União mais audaz, mais simples e mais rápida”. Este plano estabelece as prioridades políticas e legislativas para o ano, focando-se em áreas como a prosperidade sustentável, a segurança e a defesa, o apoio às pessoas e o reforço do modelo social europeu. Além disso, destaca-se a intenção de simplificar as normas da UE e reduzir os encargos administrativos, facilitando assim a implementação prática das políticas comunitárias.
Com o objetivo de recuperar a liderança global da UE face a potências como os Estados Unidos e a China, a Comissão Europeia lançou o European Competitiveness Compass (Bússola de Competitividade). Este plano assenta em três pilares estratégicos: reduzir o défice de inovação, avançar na descarbonização e reforçar a segurança económica através da diminuição das dependências. Entre as iniciativas destacam-se a promoção da inteligência artificial, da biotecnologia e da exploração espacial, bem como a criação de um ambiente favorável para startups e pequenas empresas.
No domínio financeiro, a Comissão Europeia propôs a criação de um Fundo de Competitividade que substituirá vários instrumentos existentes. Este fundo tem como objetivo apoiar projetos estratégicos e reformas destinadas a fortalecer a competitividade da Europa. Além disso, foi proposta uma revisão do Quadro Financeiro Plurianual (QFP) para o alinhar com as prioridades estratégicas da UE e dotá-lo de maior flexibilidade financeira. Estas medidas visam garantir que o financiamento europeu se adapta aos desafios atuais e futuros, promovendo uma economia mais resiliente e competitiva. Até agora, o Parlamento Europeu e o Conselho manifestaram-se a favor de uma separação entre o Fundo Europeu de Competitividade e o próximo programa-quadro da UE (FP10).
A Comissão Europeia introduziu o Clean Industrial Deal, um pacote legislativo orientado para fomentar a descarbonização e melhorar a competitividade das indústrias europeias.
No âmbito deste acordo, uma iniciativa particularmente relevante é o Clean Industrial Support and Acceleration Fund (CISAF), um novo quadro europeu para os auxílios nacionais concedidos pelos diferentes Estados-Membros. O CISAF pretende facilitar a transição para uma economia de baixo carbono, apoiando as indústrias na sua adaptação às novas exigências ambientais e promovendo a adoção de tecnologias limpas.
Com o objetivo de impulsionar a inovação, a sustentabilidade e a competitividade no sector automóvel, a Comissão Europeia apresentou um plano de ação específico que implica a alocação de fundos do programa Horizon Europe para fomentar o desenvolvimento de veículos elétricos, melhorar a eficiência energética e promover a investigação em novas tecnologias de mobilidade.
A UE lançou um plano para garantir uma indústria siderúrgica e metalúrgica competitiva e descarbonizada na Europa. Este plano inclui medidas para promover a economia circular em sectores-chave como o aço, o cimento e a química, reduzindo a dependência de matérias-primas e minimizando os resíduos. Além disso, incentiva o desenvolvimento de infraestruturas para a captura, armazenamento e utilização de carbono, como ferramentas essenciais para a descarbonização da indústria pesada.
No domínio da segurança e defesa, a Comissão Europeia apresentou o Livro Branco sobre a Defesa Europeia, que propõe melhorar o investimento e a coordenação em capacidades militares. Paralelamente, foi lançada a iniciativa RearmEU, destinada a reforçar os exércitos europeus e a indústria de defesa com um orçamento flexível e prevendo um investimento de mais de 800.000 milhões de euros. Este plano visa modernizar a defesa europeia e reduzir a dependência dos Estados Unidos, adaptando-se a um cenário geopolítico cada vez mais complexo.
A Comissão Europeia propôs a criação de uma união de poupança e investimento, com o objetivo de facilitar o acesso ao financiamento verde e promover o investimento em sectores estratégicos. Esta iniciativa pretende criar produtos de poupança e investimento, incentivar o capital de risco e garantir que os investimentos fluem de forma eficiente em toda a UE. Além disso, pretende-se reduzir as cargas administrativas e simplificar o ambiente regulador, especialmente para as PME, fomentando assim um mercado financeiro mais integrado e resiliente.
Esta proposta visa reduzir a dependência de poucos fornecedores, fortalecer a resiliência da cadeia de abastecimento e incentivar a fabricação de medicamentos essenciais na Europa. A regulamentação facilitará investimentos na produção, apoiará projetos estratégicos com financiamento e acelerará processos regulatórios. Além disso, promoverá a contratação pública para diversificar fornecedores e permitirá compras conjuntas entre Estados-Membros. A lei complementa a reforma farmacêutica e responde à escassez de medicamentos agravada por crises recentes, como a pandemia e as tensões geopolíticas.
Das iniciativas apresentadas, aquelas que ainda não tiverem sido adotadas seguirão diferentes processos de implementação. Uma vez que a Comissão Europeia apresente as propostas anunciadas no European Competitiveness Compass, por exemplo, os ministros da UE, reunidos em várias formações do Conselho, debaterão as medidas. O passo seguinte será a negociação com o Parlamento Europeu sobre a forma definitiva da regulamentação, antes de ser adotada por ambas as instituições e tornar-se legislação da UE.
No que diz respeito ao próximo Quadro Financeiro Plurianual, Bruxelas prevê apresentar a sua proposta formal em julho de 2025, com o objetivo de alcançar um acordo a tempo para a sua aplicação em janeiro de 2028, enquanto a criação do Fundo de Competitividade será realizada com o próximo orçamento da UE. A adoção do CISAF, no entanto, será muito mais rápida, estando prevista para junho deste ano. A consulta pública para apresentação de observações permanecerá aberta até 25 de abril.
As medidas propostas no âmbito da união de poupança e investimento serão adotadas dando prioridade às que tiverem maior impacto em 2025. Estas incluirão tanto medidas legislativas como não legislativas, além de outras que deverão ser formuladas pelos próprios Estados-Membros. No segundo trimestre de 2027, a Comissão Europeia publicará uma revisão intercalar dos progressos gerais na execução desta estratégia.
No que se refere à proposta de Lei dos Medicamentos Essenciais, sendo um Regulamento, o Parlamento Europeu e o Conselho devem chegar a um acordo sobre o texto para que se torne um ato legislativo da UE. Este processo pode demorar desde alguns meses até cerca de dois anos.

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Opinião
Defesa

Margherita Volpe
Líder em Segurança, Espaço e Defesa em projetos europeus

Publicação
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